Prefeitura do Rio pagará indenização a paciente que contraiu aids

Umpaciente com dengue procurou tratamento no Centro Previdenciário de Niterói, hospitalpúblico municipal no Grande Rio, e saiu contaminado pelo vírus HIV. O caso ocorreu emabril do ano passado, mas só agora foi revelado. O paciente, cujo nome está sendomantido em sigilo, é um vendedor autônomo que acusa o auxiliar de enfermagem PauloRoberto Martins de usar a mesma seringa para aplicar medicamentos em diversospacientes, entre eles um portador do vírus HIV que estava na cama ao lado da sua.O funcionário que aplicou a injeção foi afastado dois meses depois do incidente,quando ficou constatado que o vendedor havia contraído o vírus HIV, e o caso foidenunciado à Polícia Civil e ao Conselho Federal de Enfermagem. Martins, queresponde a inquérito sob acusação de tentativa de homicídio, está desaparecido desdeagosto do ano passado.De acordo com a secretaria municipal da Saúde, o vendedor contaminado estárecebendo assistência médica e psicológica, com avaliações mensais de seu estado desaúde. O subsecretário de Saúde, Luiz Roberto Tenório, ex-presidente do Sindicato dosMédicos do Rio (1992-1998), disse ao Estado que a prefeitura reconhece ?todos osdireitos do paciente? e ?cumprirá a decisão que a Justiça tomar?, referindo-se ao pedidode indenização feito pelos advogados do vendedor ? casado e pai de uma menina deseis anos. Eles pedem indenização por danos morais, auxílio psicológico, tratamentomédico e pensão alimentícia.O subsecretário, que assumiu o cargo há vinte dias, disse que tomou conhecimento dofato há uma semana. ?É lamentável, um absurdo que isso aconteça em um hospitalpúblico?, disse ele, garantindo que o paciente contaminado não desenvolveu nenhumadoença até o momento.Apesar de afirmar que o que tinha de ser feito em relação ao caso foi feito pelaadministração anterior (o PT assumiu a prefeitura no mês passado, substituindo o PDTna administração municipal), Tenório informou que serão revistos os critérios deavaliação dos profissionais de saúde para evitar casos semelhantes e impedir que umfato isolado prejudique a imagem dos outros funcionários. O Conselho Regional deEnfermagem abriu sindicância para apurar o caso.

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