Tiago Queiroz / Estadão
Tiago Queiroz / Estadão

Prefeitura de SP reduz previsão de investimento em R$ 1,1 bi

Proposta encaminhada pela Prefeitura à Câmara Municipal não quantifica ações prioritárias e retira conselhos participativos

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2021 | 05h00

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), enviou para a Câmara Municipal um Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que deixa de quantificar as metas de suas ações prioritárias para o ano que vem. O projeto também retira a atuação dos conselhos participativos das subprefeituras na organização das discussões sobre o orçamento de 2022, que deve ser formulado até o fim de setembro. 

A LDO proposta por Covas, que está em discussão na Comissão de Finanças da Câmara, traz ainda uma redução na previsão de investimentos de cerca de R$ 1,1 bilhão ante as projeções feitas no ano passado para o orçamento de 2022 – de R$ 6,5 bilhões para os atuais R$ 5,35 bilhões. As projeções haviam sido feitas antes do início da pandemia do coronavírus no País, a partir de março de 2020. 

Os conselhos participativos são organismos existentes em todas as subprefeituras da cidade desde 2013, constituídos por meio de eleição. Até aqui, esses órgãos tinham função de organizar as discussões sobre o orçamento da cidade do ano seguinte, de modo a garantir a participação popular no processo. Na LDO deste ano, porém, Covas retirou a citação à atuação dos conselhos, entregando a função à Subsecretaria de Planejamento e Orçamento da Secretaria Municipal da Fazenda, chefiada pelo auditor fiscal Fabiano Martins de Oliveira.

Números

A LDO é um texto que traz algumas definições para a lei que estipula o orçamento que a Prefeitura terá para o ano seguinte. O documento apresenta uma relação de projetos do governo que serão prioridade da gestão. A LDO de 2020 trazia, por exemplo, a proposta de “construir 12 mil unidades habitacionais”. Neste ano, a meta é “construir moradias de interesse social”. A proposta de “recuperar 20 pontes, viadutos, passarelas e/ou túneis”, um tema que ganhou destaque na capital depois de o Viaduto da Marginal do Pinheiros desabar, em novembro de 2018, deu lugar à meta de “realizar obras de recuperação ou reforço em pontes, viadutos ou túneis”, para citar alguns exemplos. 

O assessor de Mobilização da Rede Nossa São Paulo, Igor Pantoja, afirmou que a retirada das metas na LDO, em si, só não é um problema porque existe a discussão do Plano de Metas e do Plano Plurianual, que também estão em andamento na cidade neste momento. Portanto, caso a cidade não tenha metas objetivas para fiscalizar a Prefeitura nessa discussão, poderá ter nestas outras frentes. “Mas a retirada dos conselhos pode diminuir a participação popular”, afirmou. 

A Prefeitura não informou por que a LDO não contempla mais metas quantificadas. Por meio de nota, a gestão Covas declarou que os quantitativos “podem ser acompanhados no Programa de Metas”, e que “a administração tem realizado esforços contínuos para ampliar a participação popular nos processos orçamentários”.

Afirmou, ainda, que os cidadãos têm até o próximo domingo, dia 2, para enviar propostas para a composição da Lei do Orçamento do ano que vem, que estão sendo recebidas pela internet. 

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