Prefeitura de Salvador tenta conter epidemia de raiva

Depois de ser denunciada ao Ministério Público por negligência no combate à raiva animal pelo Fórum das Entidades de Saúde, a Secretaria de Saúde da Prefeitura de Salvador decidiu adotar hoje "medidas emergenciais" para tentar conter a epidemia da doença. Nos últimos 12 meses, a raiva causou a morte de quatro pessoas na Bahia - duas em Salvador, uma no município de Dias D´Ávila, na região metropolitana, e outra no município de Itororó no sudoeste do Estado. Ontem à noite, o Hospital Couto Maia, habilitado a tratar os casos de hidrofobia, recebeu mais um caso suspeito: um homem de 52 anos, morador do subúrbio ferroviário de Salvador, que foi mordido por um cão raivoso no ano passado. A secretária municipal, Aldely Rocha, disse que será intensificada a captura de animais vadios, a vacinação de cães e gatos, além do lançamento de uma campanha nos meios de comunicação para divulgar o serviço "disque vacina" através do qual os moradores poderão informar a existência de animais suspeitos de serem portadores da doença. Conforme a secretária, a prefeitura estava impossibilitada de recolher os animais vadios até recentemente devido a uma liminar obtida pelo Ministério Público. O Centro de Controle de Zoonoses de Salvador era acusado de maus tratos aos vira-latas capturados. Os problemas operacionais fizeram com que a cobertura vacinal realizada no ano passado pela Secretaria Municipal de Saúde não alcançasse 50% dos cães e gatos da cidade, quando o mínimo preconizado pela Organização Mundial de Saúde é de 80%. A OMS já classifica de epidemia o registro de apenas um caso de raiva humana. Atualmente o Hospital Couto Maia atende uma média de 40 pessoas por dia atacadas por animais. Todas recebem a vacina anti-rábica e os suspeitos de terem sido atacados por animal portador do vírus da raiva são submetidos ao tratamento com soro. A raiva é uma doença infecciosa transmitida pela saliva de animais infectados com o vírus da moléstia que se instala no sistema nervoso da pessoa. A doença pode ficar incubada por até um ano e causa morte em 100% dos casos se não for tratada.

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