Prefeitura de Marta é um monte de caixinhas-pretas, diz Serra

O candidato do PSDB, José Serra, afirmou que a Prefeitura de São Paulo, sob o comando de sua adversária Marta Suplicy (PT), é "um monte de caixinhas- pretas". ?Não afirmo que é só uma caixa-preta porque aí já se pressupõe a existência de algum tipo de organização?, disse o tucano, ao participar da série Eleições 2004 - Candidatos no Estadão. Para descobrir o conteúdo das "caixinhas", Serra avisou que, se eleito, irá rever todos os contratos. "Não vou parar para fazer auditorias, mas os contratos serão revisados e os preços devem ir para baixo, existe espaço para isso".Dos quatro candidatos que participaram de entrevistas no Grupo Estado , Serra foi o mais rápido no gatilho para iniciar os ataques aos adversários. Em apenas 40 segundos de entrevista, dirigiu ataques indiretos à Marta, ao PT e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tucano explicava que, se eleito, pretende administrar São Paulo sob o conceito republicano, de que a administração pública deve ser exercida em função do interesse público. "E não voltado para o interesse de grupos, indivíduos ou corporações como acontece hoje no País e em São Paulo", observou.Em relação ao governo Lula, o candidato ainda dirigiu críticas ao Programa Fome Zero e do orçamento participativo. Ele argumentou que fica impressionado com a retórica para promover projetos "que não existem". Mas acabou admitindo a eficiência do marketing do governo federal, que é de responsabilidade do publicitário Duda Mendonça, que também trabalha na campanha Marta Suplicy."Foi eficiente na eleição presidencial", admitiu.Serra disse que não vai interromper qualquer programa ou obra em andamento na Prefeitura, como acusa sua adversária Marta, principalmente em relação aos Centros de Educação Integrada (CEUs). "Isso faz parte do terrorismo eleitoral que eles (petistas)estão fazendo". Se eleito, o tucano promete administrar a cidade com quatro pês: prioridade, parceria, planejamento e parcimônia com gastos.A explicação sobre cada um dos quatro pês resultou em mais críticas ao governo Marta. Censurou a falta de prioridades, de planejamento de ações, e de critério para utilização do dinheiro público. "Esse governo não tem medo de ser feliz com a máquina pública" ironizou Serra, usando frase de trilha sonora de campanhas de Lula.O candidato rebateu os ataques da petista no horário eleitoral sobre sua gestão no Ministério da Saúde. "É um truque publicitário, me acusam de ter aumentado os casos de diabetes, como se fosse uma doença transmissível". Também defendeu sua gestão no Ministério e os recursos enviados para São Paulo, destacando os R$ 20 milhões para o combate à dengue. A campanha petista o acusa de ter aumentado os casos da doença quando comandou a Saúde. Pelo menos durante quatro vezes nas duas horas de entrevista, Serra deu a entender que a prefeita é movida pela sua assessoria de marketing. "Conversa, ela falou o que os marqueteiros mandaram ela falar", repetiu, ao comentar a declaração de Marta de que parte dos funcionários contratados sem concurso são músicos dos CEUs.Os escolões da Prefeitura foram alvo de crítica em função do alto custo que, segundo o candidato, é oito vezes superior ao valor gasto por um aluno mantido numa das demais escolas da rede municipal. "As crianças não têm aulas, elas ficam lá brincando", disse.O candidato se comprometeu a não lotear subprefeituras, a concluir as obras do Fura-Fila, a reerguer a Companhia e Engenharia de Tráfego (CET), a integrar o Bilhete Único ao Metrô e a construir os CEUs que tiverem verba destinada no orçamento.Serra continua escorregando quando o assunto é a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em sua campanha. Negou que tenha demorado para se definir se seria candidato. Ele disse que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) se empenhou muito para que ele entrasse na disputa pela Prefeitura. "E o ex-presidente Fernando Henrique?, perguntou um repórter. "O Fernando Henrique não", respondeu.Sobre sua fama de mal-humorado, Serra disse que foi apenas na campanha presidencial por causa de "demonização" de que foi vítima por parte do PT. Garantiu não ligar quando o chamam de "vampiro". "Mas ninguém me chama", disse. Lembrado que o candidato Paulo Maluf (PP) havia usado do apelido para atacá-lo, Serra retrucou. "E eu ligo para o que Maluf fala a meu respeito?".Serra criticou Marta até mesmo quando solicitado a apontar uma qualidade em sua adversária. "Com certeza e a autoconfiança. Ela se considera uma grande administradora", afirmou, sem esconder um sorriso maroto.

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