Prefeitos prometem manter protestos

Administrações municipais dizem que pacote do governo é insuficiente

Moacir Assunção, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2009 | 00h00

Prefeitos da oposição e até da situação não demonstram, ao menos por enquanto, grande entusiasmo com o pacote de R$ 1 bilhão anunciado em ajuda às prefeituras, por causa da queda do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Até mesmo um protesto marcado para hoje nas 853 prefeituras de Minas Gerais deve ocorrer, embora sem o fechamento - previsto anteriormente - dos prédios da administração municipal."O pacote é o primeiro passo para resolver o problema, mas ainda é tímido. Temos outras reivindicações como a suspensão por seis meses dos pagamentos ao INSS, com a troca do fator de reajuste dos financiamentos por outro mais favorável e o pagamento da inflação dos últimos três meses do ano passado", afirmou o prefeito de São Gonçalo do Pará (MG), Angelo Roncalli (PR). De acordo com ele, a cidade de 11 mil habitantes perdeu R$ 400 mil em arrecadação no primeiro trimestre. Vice-presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM), Roncalli disse que as prefeituras paralisariam seus serviços hoje como forma de protesto. Seus colegas, no entanto, afirmam que farão uma manifestação, mas sem fechar as portas.O prefeito de Poços de Caldas (MG), Paulo César Silva (PPS), também não vê motivos para comemorar. "Somente o FPM não resolve. O meu município teve uma queda média de 30% na arrecadação e ainda temos muito o que pedir." Silva afirmou que em sua cidade as bandeiras ficarão a meio pau, será distribuída uma carta à população explicando as razões da manifestação e faixas serão colocadas em prédios públicos.O petista José Xavier, de Guarani (MG), disse que se sentiu um pouco mais aliviado com o pacote, mas está esperando que ele vire realidade, após a aprovação pelo Congresso. "Não vamos paralisar os serviços, mas mostraremos nossa indignação com a perda média de R$ 190 mil desde o início do ano", afirmou. Prefeito de Prudente de Morais (MG), Haroldo Cunha Abreu, do PP, disse que o pacote não resolve. "Dividindo o R$ 1 bilhão pelas prefeituras que mais dependem do FPM, dá uma média de R$ 50 mil em duas vezes para cada uma." O presidente da Associação Mato-Grossense dos Municípios, Pedro Ferreira, disse que a ajuda é bem vinda, mas é apenas um paliativo. "Vamos continuar mobilizados para fazer o encontro de contas com o governo na questão do INSS." FRASEAngelo RoncalliVice-presidente da AMM"O pacote é o primeiro passo, mas ainda é tímido. Temos outras reivindicações como a suspensão dos pagamentos ao INSS, com troca do fator de reajuste dos financiamentos e o pagamento da inflação dos últimos três meses do ano passado"

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