Prefeitos petistas declaram apoio incondicional ao governo

No momento em que o governo federal tem sido criticado até por aliados, prefeitos eleitos do PT reuniram-se nesta segunda-feira num luxuoso hotel da capital da República para dar apoio incondicional à administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O grupo decidiu redigir a Carta de Brasília, a ser divulgada nesta terça-feira, na qual o governo Lula é apresentado como um parceiro que, pela primeira vez, assumiu a agenda federalista. "O PT não é e não será problema para Lula", afirmou o presidente do PT, José Genoino. "Para nós, 2005 tem de ser um ano de realizações", disse ele, que convocou a reunião para cobrar apoio explícito dos prefeitos ao governo justamente na temporada de reforma ministerial.Genoino disse que a tarefa dos petistas, agora, é debater os "rumos do desenvolvimento", com geração de emprego e renda, e não discutir cargos nem finanças. "Não estamos aqui para apresentar uma lista de reivindicações ao presidente, mas, sim, para fazer uma reunião de articulação política dos nossos prefeitos", comentou. Em conversas antes da abertura do encontro, os prefeitos diziam que a frente pró-Lula terá como objetivo final um movimento pela reeleição do presidente, em 2006. "Os prefeitos do PT não medirão esforços para defender o governo Lula e sua candidatura à reeleição", garantiu o prefeito reeleito de Aracaju, Marcelo Déda. Para Déda, o mais importante da reunião que termina nesta terça-feira será a avaliação sobre "os diferentes sotaques do PT" depois das eleições municipais. "O PT que saiu das urnas é menos paulista e mais brasileiro", disse Déda. Nas últimas eleições, o partido mais do que dobrou o número de prefeitos - passou de 200 para 411. Perdeu, no entanto, prefeituras importantes, as chamadas "jóias da coroa", como São Paulo e Porto Alegre. O partido também perdeu votos entre o eleitorado de classe média, o que tem preocupado Lula. Oficialmente, a cúpula do PT nega que as orientações dadas aos prefeitos tenham a finalidade de abafar as insatisfações - principalmente em relação à política econômica -, de olho na reeleição de Lula. "Não podemos morder essa isca", insistiu Genoino.

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