Gabriela Biló / Estadão
Gabriela Biló / Estadão

Prefeitos lamentam participação de Bolsonaro em ato que pedia fechamento de Congresso

Federação Nacional dos Prefeitos disse que o 'inimigo é o novo coronavírus' e que a 'guerra' deve ser contra a doença, que causou uma 'pandemia de proporções ainda não conhecidas'

Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2020 | 12h33

BRASÍLIA - A Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) lamentou, por meio de nota oficial, a participação do presidente Jair Bolsonaro em ato que pedia o fechamento do Congresso Nacional e intervenção militar na tarde desse domingo, 19, em Brasília. Segundo a entidade, a atitude do presidente foi uma atentado à democracia.

Para a FNP, a participação do chefe do Executivo foi um "despropósito". "O presidente da República tem um papel que não pode tergiversar sobre a democracia. Nem mesmo na caserna há lugar para flertar com a ditadura militar, sob pena de o capitão perder seu cargo para um general."

Durante o ato em Brasília, o presidente subiu na caçamba de uma caminhonete e fez um discurso para apoiadores que gritavam palavras de ordem contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). "Nós não queremos negociar nada. Queremos é ação pelo Brasil", disse.

Os prefeitos afirmam que o "inimigo é o novo coronavírus" e que a "guerra" deve ser contra a doença, que causou uma "pandemia de proporções ainda não conhecidas". Para eles, o ódio está levando o país para um cenário sombrio, que traz constrangimentos às forças armadas e ridiculariza o país internacionalmente.

"É lastimável que em meio a milhares de velórios trágicos e rápidos, o iminente colapso do sistema de saúde e a incerteza diante da pandemia que apavora, o Brasil siga esse torpe caminho, siga nessa encruzilhada".

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