Prefeitos do PI alertam sobre tensão social

Prefeitos de 78 dos 100 municípios do Piauí em situação de emergência se reuniram hoje em Teresina para discutir as medidas de atendimento aos flagelados da seca. Eles advertiram haver uma forte tensão social e riscos de saque em alguns municípios."O povo está perdendo a sua cidadania, excluído de tudo de comida, de água, de emprego. Por isso, não descarto o risco de saque", disse o prefeito de Pio IX, a 434 quilômetros da capital, José Mesquita (PSDB). Mesquita afirmou que, se for para resolver o problema, "por mim pode saquear".O secretário da Defesa Civil do Estado, Osmar Araújo, concorda que a tensão social pode desembocar em situações mais graves. "Se não houver providências do governo federal (para atender as vítimas da seca) com certeza haverá coisas desagradáveis", disse Araújo aos prefeitos.Ele sugeriu que os prefeitos mobilizassem os trabalhadores rurais que perderam suas lavouras e não têm água. "Eles é que são as vítimas e precisam se mobilizar, se não ninguém lá de Brasília vai conseguir entender a gravidade do problema da estiagem." Na reunião quase todos os prefeitos disseram que há uma forte pressão por medidas emergências. Em 35 municípios a prefeituras estão utilizando carros-pipa para abastecimento de água, mas não há recursos para distribuir alimentos nas áreas em que a perda da safra variou de 70% a 100%.O programa emergência esperado pelos prefeitos ainda vai demorar pelo menos uma semana, mas muitos prefeitos são céticos quanto à eficiência das medidas a serem anunciadas. "Eu preferia que essas medidas viessem acompanhadas de uma decisão técnica de financiamento de atividades econômicas que não dependessem tanto da chuva", disse o prefeito de São João do Piauí, Murilo Landim, no final do encontro.

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