Prefeitos de esquerda criam agência de cooperação

Prefeitos de esquerda aproveitaram o mote da globalização, que está na berlinda no Fórum Social Mundial, e decidiram criar uma agência de cooperação e desenvolvimento para facilitar o acesso dos municípios a recursos do exterior, tanto em instituições financeiras como em organizações não-governamentais (ONGs). Na prática, querem formar uma rede, com o objetivo de obter dinheiro para programas sociais e firmar convênios e parcerias com países estrangeiros. "Apostamos no que tem de positivo na globalização: a solidariedade", resumiu o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PT). A proposta de constituir uma agência foi feita pelo PT, mas já conquistou adeptos do PC do B, PV e PSB. A idéia é que ONGs também participem do grupo. "Será uma figura jurídica de direito privado, com caráter suprapartidário, que tratará da cooperação técnica entre cidades, captação de recursos para projetos, intercâmbio de experiências e treinamento de pessoal", afirmou o prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro (PT).Tarso disse que a nova agência não é política nem concorrerá com nenhuma estrutura já existente, como a Frente Nacional dos Prefeitos, presidida por Célio de Castro (sem partido), de Belo Horizonte. Na expectativa de levar Célio para as fileiras petistas, o presidente do PT, deputado José Dirceu, pediu aos companheiros que também reforcem a frente comandada pelo mineiro. "Precisamos dar condições de trabalho a ele", advertiu.A agência de cooperação e desenvolvimento pode ultrapassar as fronteiras da esquerda. Serão convidados prefeitos de partidos de centro, como os do PMDB, para engrossar essa rede, que deverá ter uma taxa taxa de manutenção, a ser paga pelos "sócios". O valor ainda não foi estabelecido.No encontro que tratou do assunto e reuniu 80 prefeitos, a maioria deles do PT, Marta Suplicy (PT), de São Paulo, antecipou-se e disse que, mesmo se convidada, não aceitará presidir a agência. "Me poupem!", exclamou. "Já tenho problemas demais este ano e não posso ter mais um."Mesmo assim, Marta achou a iniciativa "interessante" porque, segundo ela, a representação pode agilizar intercâmbios e financiamentos, principalmente para prefeituras com menos recursos. Edmilson Rodrigues, prefeito de Belém, citou como exemplo Belém, onde já existem acordos de cooperação com várias cidades da Europa, entre elas Milão. "A Itália está tendo expansão de doenças tropicais, como malária, mas não sabe identificar e, como nós temos profissionais qualificados, exportamos tecnologia", comentou. "Ao mesmo tempo, eles também estão nos ajudando com técnicos, porque somos carentes na área de neurocirurgia."

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