Prefeitos de 6 capitais apoiam Dilma

Tânia Monteiro , Carla Araújo / , BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2015 | 02h04

A presidente Dilma Rousseff dedicou ontem o dia do seu aniversário a trabalhar para assegurar a manutenção da maior parte do PMDB ao seu lado, tentando demarcar espaço no território peemedebista, em contexto de embate travado com seu vice-presidente Michel Temer, que preside o partido.

O resultado foi a elaboração de uma lista que inclui a retomada

da liderança do partido na Câmara, devolvendo-a ao deputado Leonardo Picciani (RJ). Essa lista só será executada, no entanto, se o Supremo Tribunal Federal reverter o resultado do plenário, que escolheu uma comissão com deputados oposicionistas para ocupar a comissão pró-impeachment. Dilma conseguiu também uma moção de apoio de 14 prefeitos e declarações do representante peemedebista do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, dizendo que "PMDB no poder só em 2018" e que o partido "não pode ceder à tentação de tomar o poder que não pela via do voto".

Paes rejeitou ainda a articulação que está sendo comandada por Temer de antecipar a convenção do PMDB marcada para março para anunciar o rompimento com o Planalto. Segundo ele, a retirada do líder Picciani foi "mão grande"

de uma parte do partido.

As ameaças de Temer e seus correligionários de que se Dilma continuar interferindo no PMDB vai romper imediatamente e abandoná-la à própria sorte não assustaram o Planalto. A presidente

tem ignorado as ameaças e mandado recados de que vai tirar os cargos de quem defender seu impeachment.

Segundo cálculo do Palácio do Planalto, das sete vagas do PMDB na Esplanada dos Ministérios, quatro estão ao lado da presidente. Uma baixa já foi contabilizada, com a saída de Eliseu Padilha, da Aviação Civil, mas a administração da pasta continua com o partido. Henrique Alves, do Turismo, segue o que Temer mandar. Esse mesmo sentimento existe em relação a Hélder Barbalho, dos Portos. Os demais, Katia Abreu, da Agricultura, Celso Pansera, da Ciência e Tecnologia, Marcelo Castro, da Saúde, e Eduardo Braga, de Minas e Energia, defendem Dilma e são contra o impeachment. Mas nenhuma mudança acontecerá, preveem os auxiliares da presidente, antes da convenção do partido que, no mínimo, acontecerá lá para o final de janeiro.

Corpo a corpo.

Ontem, Dilma começou o dia comandando uma reunião de coordenação política. Nela, falou da pauta das próxima votações, comentou as manifestações fracas do fim de semana, sem comemorações, e voltou a pedir apoio e empenho de todos os ministros para que garantam os votos em projetos do governo considerados importantes para reverter a economia, caso consiga evitar o seu afastamento.

A presidente avisou também que vai intensificar a conversa com as lideranças dos partidos da base aliada, fazendo articulação pessoalmente, ao lado dos ministros Ricardo Berzoini e Jaques Wagner.

Em uma outra frente, na da batalha jurídica, o ministro da Advocacia-Geral da União, Luís Adams, que trabalha na defesa da presidente, foi ao anexo do Planalto para encontro com Temer e seus auxiliares, conversar sobre os próximos passos do processo e tentar negociar armistícios.

"Neste momento, a situação é de guerra declarada, mas que um fica olhando para o outro esperando quem vai piscar primeiro", resumiu um interlocutor da presidente.

"PMDB no poder

só em 2018"

(O partido)

não pode ceder à tentação de tomar o poder que não pela via do voto"

Eduardo Paes (PMDB)

PREFEITO DO RIO

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