Prefeitos assumem cortando gastos

SP, Rio e Belo Horizonte estão entre capitais onde foram anunciadas medidas para enfrentar crise internacional

, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2009 | 00h00

De olho na crise financeira internacional, os prefeitos eleitos das principais capitais brasileiras tomaram posse ontem com o anúncio de medidas de redução de gastos e adotaram o discurso muito semelhante: o da austeridade fiscal. Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba, por exemplo, o efeito que a crise trará para a saúde financeira das prefeituras foi ponto central dos discursos de posse.As medidas vão desde cortes de investimentos, redução de gastos com custeio das secretarias e demissões de comissionados a reavaliações de contratos e busca de alternativas que gerem mais recursos públicos.Em São Paulo, o prefeito reeleito Gilberto Kassab (DEM) enfatizou a necessidade de adotar medidas preventivas contra a crise, sem deixar de ressaltar a boa saúde financeira do município. "Apesar da inédita condição financeira positiva, tenho consciência de que o espectro de uma preocupante crise econômica ronda o mundo. Trata-se de uma crise que não foi gerada em nosso país, mas que cobrará de todos nós uma parte de seus custos."Em um discurso repleto de metáforas e citações, Kassab afirmou que mesmo com dinheiro em caixa vai promover cortes. "Decidimos manter nosso programa social, principalmente educação, saúde e transporte público, contendo cautelarmente os gastos em outras áreas. Assim será até que o horizonte se torne mais claro, até que tenhamos certeza das consequências dessa crise para São Paulo."No Rio, o prefeito Eduardo Paes (PMDB), logo em seu primeiro dia no cargo, baixou um pacote de medidas com um objetivo audacioso. Ele quer promover um ajuste orçamentário de R$ 1,5 bilhão. Para isso, todos os recursos destinados a investimentos e despesas do governo anterior foram contingenciados e despesas com cargos de confiança cortadas em 30%.A equipe de Paes terá ainda de rever contratos e convênios, com a meta de alcançar redução de pelo menos 20% naqueles que forem mantidos. Até a conta de telefone vai sofrer redução. Ele determinou a adoção de um plano de racionalização do uso para reduzir despesas com telefonia. "Neste primeiro momento, precisamos apertar os cintos", disse Paes.Em Belo Horizonte (MG), o novo prefeito, Márcio Lacerda (PSB), que até então evitava falar sobre a crise financeira, enfatizou o tema em seu discurso de posse. Dias antes ele já havia cortado 250 comissionados. "Com ponderação e transparência faremos ajustes orçamentários que vierem a ser necessários e que menos impacto tenham sobre serviços e as áreas fundamentais para a vida da cidade", afirmou Lacerda.Em Curitiba, o prefeito reeleito Beto Richa (PSDB) determinou uma redução de 15% nos gastos de custeio a todos seus secretários, para garantir que a crise não afete investimentos da prefeitura em setores sociais. Um dos líderes emergentes do PSDB no País, Richa fez questão de ressaltar que a medida estava sendo tomada com vistas ao enfrentamento da crise que, segundo ele, "aponta para um quadro generalizado de recessão econômica e de instabilidade social". Em Salvador, o prefeito João Henrique (PMDB) aproveitou a crise financeira para adotar medidas classificadas como impopulares. Além de anunciar o aumento de 10% nas passagens de ônibus urbanos, ele promoveu uma redução do número de secretarias, extinguindo 6 das 17 existentes hoje, e cortou 80 cargos comissionados. Com as mudanças administrativas, ele espera economizar R$ 40 milhões por ano. Outras medidas, como o aumento de impostos, ainda não estão descartadas. No Recife, o prefeito João da Costa (PT) não falou em medidas contra a crise, mas deve trabalhar com um Orçamento com R$ 18 milhões a menos do que era previsto.ANGELA LACERDA, ALEXANDRE RODRIGUES, EVANDRO FADEL, EDUARDO KATTAH TIAGO DÉCIMO e RICARDO BRANDTNÚMEROSR$ 1,5 bilhãoé o ajuste orçamentário que Eduardo Paes quer adotar no RioR$ 40 milhões por ano é a economia que João Henrique prevê em Salvador com a reforma administrativa

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