Prefeito quer evitar confrontos antes da hora

Publicamente, Kassab faz discurso da coalizão e diz que sucessão será decidida pela cúpula

Alexssander Soares e Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

03 de novembro de 2007 | 00h00

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), quer evitar brigas antes do início da partida. Sem confirmar publicamente se será ou não candidato em 2008, Kassab tem adotado o discurso da coalizão e de que a sucessão municipal "será definida pelos dirigentes dos dois partidos, no momento certo"."Nós temos uma aliança (PSDB-DEM) em São Paulo. E vamos definir qual será o melhor caminho no ano que vem", afirmou o prefeito, ontem pela manhã, quando participava de uma homenagem à memória de policiais mortos no Cemitério do Araçá, zona oeste da capital.Em dia de candidato - o que tem se tornado algo cada vez mais comum na sua agenda - Kassab aproveitou o feriado de Finados também para fazer corpo-a-corpo no meio da multidão presente na missa do padre Marcelo Rossi, no Autódromo de Interlagos. O prefeito pulou a cerca e ficou 20 minutos entre mulheres tirando fotos e cumprimentando eleitoras. O gesto é simbólico, mas significativo para um político que não era conhecido entre os paulistanos quando assumiu o cargo em abril de 2006 após a renúncia de José Serra (PSDB) para a disputa do governo do Estado.Enquanto o prefeito se dedica a "administrar a cidade", como ele mesmo diz, as costuras entre membros do DEM e PSDB seguem nos bastidores. A cúpula nacional do antigo PFL fez uma proposta ao ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) para um acordo político buscando a manutenção da aliança com o PSDB no governo do Estado e na prefeitura.A proposta é que Kassab seria lançado como candidato a prefeito da aliança, preservando Alckmin como candidato ao governo do Estado em 2010. A cúpula nacional do DEM também enxerga a eleição de Kassab como um passo importante para consolidar uma imagem de renovação do partido.O movimento pró-Kassab tem amplo apoio de setores ligados a Serra, mas enfrenta dura resistência de alas tucanas - principalmente os chamados alckmistas. Se por um lado o DEM tenta forçar uma desistência consensual de Alckmin da disputa pela prefeitura, esses setores do PSDB ligados ao ex-governador trabalham para que ele busque o direito de ser o nome da coligação para entrar na disputa de prefeito.Sem espaço no governo Serra, o grupo tenta recuperar poder político dentro do Estado.Os alckmistas também tentam forçar Serra a desistir do apoio à candidatura de Kassab em nome da harmonia dentro de sua legenda. É que como pretende ser candidato a presidente pelo PSDB em 2010, Serra precisa ter todos os setores da legenda ao seu lado. Por isso, poderia ser convencido de que medir forças com a ala paulista do tucanato ligado a Alckmin na disputa de prefeito traria prejuízos para seu projeto para 2010. O imbróglio deve seguir até março de 2008, e são os petistas quem mais torcem para que a disputa se arraste até minar a força eleitoral de ambos os nomes.

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