Prefeito petista pede despejo de grupo de José Rainha

Chefe do executivo de Santo Antonio do Aracanguá pediu reintegração de posse de 70 famílias

José Maria Tomazela, Agencia Estado

19 de fevereiro de 2010 | 19h02

O prefeito de Santo Antonio do Aracanguá, Luiz Carlos dos Reis Donato (PT), pediu a reintegração de posse de 70 famílias ligadas ao dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior, que acamparam numa área do município paulista no sábado de carnaval. A ação fez parte do chamado "carnaval vermelho" que mobilizou cerca de 5 mil sem-terra para montar acampamentos nos limites de 70 fazendas no oeste de São Paulo. A área de cinco hectares fica nas proximidades da fazenda Nossa Senhora de Fátima, que os sem-terra consideram improdutiva.

 

O líder José Rainha criticou a decisão do prefeito. "Estamos acampados em mais de 30 municípios, muitos deles administrados pelo PSDB, e as prefeituras nos apoiaram. Não esperávamos que um prefeito do PT fosse despejar os sem-terra", reclamou. De acordo com Rainha, o grupo vai aguardar a decisão judicial.

 

O procurador-geral da prefeitura, Paulo César Fernandes Alves, argumentou que na terra invadida, na margem do rio Lambari, o município desenvolve projetos de educação ambiental."É uma área de uso comum da população, pois tem uma prainha para a saída de barcos em direção aos lagos, formados pelas hidrelétricas do rio Tietê."

 

Segundo Alves, o prefeito estaria incorrendo em crime de improbidade administrativa caso não defendesse o patrimônio municipal. "Ele é a favor da reforma agrária, mas se favorecesse um grupo por simpatia partidária, estaria prevaricando." Ele disse que o prefeito tentou obter a saída amigável dos sem-terra, sem êxito, por isso deu ordem para a ação judicial. Alves deve protocolar a ação de reintegração de posse ainda hoje no Fórum de Araçatuba.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.