Prefeito petista diz que instituições tolhem a esquerda

Um dos líderes da esquerda petista, o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, expressou veladamente alguns dos principais temores das correntes mais radicais do PT em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Integrante do grupo Força Socialista, Rodrigues, sem citar expressamente Lula, afirmou que "é muito comum que governos populares, eleitos para mudar, limitem suas políticas públicas à ordem, como se a ordem não fosse resultado de um processo histórico". Segundo ele, que falava oficialmente sobre prefeituras, esses administradores "trabalham num viés positivista, que muitas vezes confunde lei com direito. A perspectiva democratizante deve ser tensionada", pregou ele no 3º Fórum de Autoridades Locais, um dos eventos integrados ao 3º Fórum Social Mundial, que começa amanhã. "Deve-se trabalhar dentro da ordem, mas tensionando-a". Para Rodrigues, o poder pode ser um "dilema" para os esquerdistas. "Governar pode significar submissão aos limites político-jurídicos formais", disse. "Um governo popular não deve fazer pela sociedade, deve criar condições políticas para a sociedade. Deve ser o incentivador de uma esfera pública não-estatal, para formação de seres humanos integrais."Rodrigues também expressou preocupação em relação à possibilidade de um governo popular, a pretexto de se abrir aos movimentos populares, acabar cooptando-os. "O compromisso com a democracia deve ser para nós um princípio", disse. "Não um valor universal, diria um valor estratégico. Quem está na máquina do Estado tem um poder muito grande de cooptar lideranças emergentes." Para ele, a chamada esfera pública não-estatal (formada, por exemplo, por conselhos de orçamento participativo de prefeituras petistas) deve "exercitar a radicalização".Contraditoriamente, o prefeito petista também criticou os sindicalistas, porque muitas vezes, em sua opinião, "expressam uma cultura corporativista". Ele lembrou que os militantes sindicais "dificilmente se submetem a fóruns de democracia participativa" e muitas vezes reivindicam aumentos salariais que comprometem a capacidade de investimento do setor público. "Sem querer sepultar sonhos, sem ser coveiro de expectativas, como manter o povo com o direito de sonhar e limitar essas conquistas?", perguntou.Veja o especial sobre os Fóruns de Davos e Porto Alegre

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