Prefeito é processado por vender terra da União

O prefeito de Porto de Moz, no sudoeste do Pará, Gerson Salviano Campos (PSDB), está sendo processado por grilagem de terra pública da União Federal e apresentação de documentos falsos de uma fazenda "fantasma", que ele tentou vender ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Os procuradores da República em Belém, Felício Pontes Júnior, Ubiratan Cazetta e José Augusto Potiguar ingressaram hoje com uma ação civil pública com pedido de liminar na Justiça Federal de Santarém para anular no cartório de Gurupá o registro da Fazenda Itaboraí, de 39 mil hectares, cobrando do prefeito uma indenização por danos morais contra a União.Para eles, a atuação de Campos nos crimes é muito grave, por se tratar de alguém com mandato público. Além de Gerson Campos, o Ministério Público Federal (MPF) abriu processo contra José da Graça Caldeira Silva, para quem o prefeito vendeu a fazenda. O Incra informou ao MPF que a fazenda está situada na Gleba Pracupi, discriminada e arrecadada pelo Incra. Além disso, parte do imóvel incide sobre a Floresta Nacional de Caxiuanã. Gerson Campos, segundo o MPF, é sócio da madeireira Exportadora Cariny Ltda. Em abril de 1998, a empresa encontrava-se em concordata e tinha como principal credor o Banco do Brasil. Para pagar a dívida, ele tentou vender a fazenda ao Incra, que recusou. A área estaria registrada no Instituto de Terras do Pará (Iterpa), mas o órgão informou à Polícia Federal que a certidão emitida pelo cartório e o título definitivo são falsos. O sogro do prefeito, David Cordeiro de Souza, acusou o genro de ter se apossado de documentos dele e de sua mulher, Dalvanira Tenório de Souza, dizendo que pretendia regularizar algumas terras. David negou ter vendido alguma área ao genro e negou ser dono de terra no Estado. "A escritura de compra e venda é falsa", resumiu.O prefeito disse à Agência Estado não se lembrar de ter feito negociação com o imóvel. Logo em seguida, porém, lembrou que de fato havia tomado conhecimento da existência da fazenda. E justificou ter mandado cancelar o registro em cartório tão logo soube das irregularidades. "Esse problema já foi resolvido", alegou.Informado que o cancelamento do registro por ele providenciado não apaga os supostos crimes praticados, o prefeito alegou estar pronto para se defender na Justiça Federal das acusações. "Estou à disposição das autoridades para responder por isso".

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