Prefeito é morto em Jandira; polícia prende 4 suspeitos

Walderi Braz Paschoalin (PSDB) foi assassinado a caminho de uma rádio da cidade; hipótese de crime político é a mais forte

Diego Zanchetta e Paulo Saldaña, de O Estado de S.Paulo,

10 Dezembro 2010 | 20h01

JANDIRA - O prefeito de Jandira, Walderi Braz Paschoalin (PSDB), de 62 anos, foi assassinado com tiros de fuzil e metralhadora por volta das 7h50 desta sexta-feira, 10, quando chegava para gravar seu programa semanal em uma emissora de rádio da cidade, localizada a 30 quilômetros de São Paulo. O motorista do prefeito, Wellington Martins, também foi atingido pelos disparos e morreu no fim da tarde. Para a Polícia Civil, foi uma execução encomendada e a hipótese de crime político não está descartada.

 

Quatro suspeitos foram presos em pouco mais de seis horas, numa operação que mobilizou cerca de 40 investigadores de sete cidades da Grande São Paulo. A principal pista do caso foi o Ford Focus prata usado pelos assassinos, roubado na capital na quarta-feira. O veículo foi encontrado duas horas depois em um matagal, com o banco encharcado de gasolina. Dois suspeitos que estavam próximos do carro, ambos com ficha criminal, foram detidos por volta das 10h, quando tentariam incendiar o automóvel, segundo a polícia.

 

No fim da tarde, mais dois suspeitos detidos no mesmo matagal tinham marcas de pólvora nas mãos constatadas por exame residuográfico feito no Setor de Homicídios de Santana do Parnaíba, cidade vizinha a Jandira. Ambos também tinham antecedentes criminais - por roubo. A Polícia Civil informou que pediria a prisão temporária dos quatro ainda nesta sexta.

 

Às 18 horas, os portões do ginásio municipal foram abertos para o velório do prefeito. Centenas de pessoas fizeram fila para se despedir de Paschoalin, cujo corpo. O corpo foi coberto com uma bandeira do município. O enterro está marcado para as 16h45 deste sábado, no Cemitério Municipal de Jandira.

 

Emboscada

 

No momento que foi alvejado por dois homens encapuzados, o prefeito descia do banco de passageiros do Fiesta de seu motorista, conhecido como Geleia. Os bandidos pararam com o Focus na frente do carro e dispararam 16 vezes. A maioria dos tiros atingiu o rosto de Paschoalin. Em seguida, os assassinos atiraram três vezes contra o motorista. Ele chegou a ser operado na tarde de sexta, mas não resistiu aos ferimentos. Os disparos puderam ser escutados dentro do estúdio e, captados pelos microfones da rádio, foram ouvidos pelos ouvintes.

 

Apesar de ter à disposição dois carros blindados, o prefeito costumava usar o carro de Geleia para ir à Rádio Astral, onde gravava o programa Bom Dia Prefeito, nas manhãs de sextas-feiras. Nesta sexta, um dos blindados estava com pneu furado e o outro, emprestado a um parente.

 

A Rádio Astral funciona numa casa simples em Santa Tereza, bairro mais alto de Jandira, num lugar conhecido como mirante. Do ponto exato onde o prefeito levou os tiros, tem-se uma vista de toda a cidade. Mas uma única rua inclinada e estreita dá acesso à rádio. Não há outras ruas ou área de matagal que pudessem facilitar a fuga dos criminosos.

 

Eles tiveram de percorrer pelo menos dois quilômetros por dentro da cidade até chegarem à Estrada Pita, na saída de Jandira. Ali, abandonaram o carro que seria queimado pelos dois suspeitos presos pela manhã, de acordo com a polícia.

 

Investigação

 

O crime desta sexta é o quarto caso envolvendo personagens da vida pública de Jandira no ano. As investigações das mortes de um ex-vereador e de um suplente ocorridas em julho e da invasão ao apartamento da filha de Paschoalin serão unificadas ao inquérito do assassinato do prefeito.

 

Ana Beatriz Paschoalin, filha do prefeito assassinado, deixou a cidade depois que sete homens armados tentaram invadir o apartamento onde vivia com o marido, no bairro nobre Anita Costa, em 20 de setembro. Ela deve prestar depoimento à polícia na segunda-feira e é considerado fundamental para o esclarecimento do crime.

 

"A possível correção desses crimes precisa ser avaliada no momento", acrescentou o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), Marcos Carneiro. O caso será investigado pele Setor de Homicídios da Delegacia Seccional de Carapicuíba.

 

Segundo um sobrinho do prefeito disse nesta sexta à polícia, em depoimento, Paschoalin não havia recebido ameaças recentes de seus adversários políticos. O tucano estava no terceiro mandato como chefe do Executivo de Jandira e foi eleito vereador pela primeira vez em 1976.

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