Prefeito demite mil e despacha em hospital

O prefeito de Curionópolis, no sudeste do Pará, Sebastião Curió Rodrigues de Moura (PMDB), tomou uma decisão radical no último final de semana: decretou estado de calamidade pública no município, demitiu todos os mais de mil servidores, fechou a prefeitura e resolveu instalar seu gabinete num hospital abandonado, que começou a recuperar. "Não me arrependo do que fiz. Vou tentar restabelecer a credibilidade da população em seus governantes", justifica o tenente-coronel reformado do Exército. Sua primeira providência no governo foi baixar um decreto obrigando todas as manhãs seus assessores e funcionários a ouvirem o Hino Nacional. O próprio Curió faz questão de hastear a bandeira.As demissões atingiram servidores concursados e temporários contratados pelos ex-prefeitos João Chamon Neto e Osmar Ribeiro. Os atingidos vão tentar reaver seus empregos na Justiça. O clima na cidade é tenso. Segundo Curió, a situação administrativa e financeira do município é "caótica". O ex-prefeito Osmar Ribeiro não pagou outubro, novembro, dezembro e o 13º salário dos funcionários. "A prefeitura está totalmente falida, cheia de contas a pagar e com seus créditos bloqueados. Nem as chaves eu recebi", revela. Curió acusa Osmar Ribeiro de haver sacado no penúltimo dia de seu governo R$ 214 mil que estavam no Banco do Brasil de Parauapebas, município vizinho, além de outros recursos depositados em bancos de Marabá. Ribeiro não foi localizado em Curionópolis para defender-se das acusações de Curió. Ele deixou o município desde o início de janeiro. Curió tem seu passado como ex-militar ligado a essa região do Pará, onde ganhou simpatizantes e inimigos. Combateu, nos anos 70, a guerrilha do Araguaia e governou com mão de ferro o garimpo de Serra Pelada. Nesse garimpo, em 1980, proibiu consumo de bebida e entrada de mulheres. Foi na época em que o local chegou a abrigar 70 mil garimpeiros.

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