Prefeito de Salvador lança Geddel ao governo baiano

Governador Wagner, do PT se disse 'surpreso e indignado" com as afirmações de João Henrique, do PMDB

Tiago Décimo, de O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2008 | 19h17

A briga do PT e do PMDB na Bahia tem mais um round. Depois de o governador Jaques Wagner (PT) ameaçar a romper seu apoio ao prefeito de Salvador João Henrique Carneiro (PMDB), o administrador municipal da capital baiana partiu para o contra-ataque e praticamente confirmou que o ministro da integração nacional, Geddel Vieira Lima, vai ser o candidato da legenda ao governo estadual em 2010 - em provável disputa contra Wagner. "O PMDB, maior partido do Brasil, precisa ter candidato próprio", afirmou João Henrique. "E o nome que está mais em evidência é o do ministro Geddel." A nova batalha entre PDMB e PT na Bahia começou no final da última semana, quando João Henrique participou de um encontro com prefeitos liderados por Gilberto Kassab (DEM). Na ocasião o administrador de Salvador disse que, "até por uma questão de gratidão, deveria apoiar os partidos que fizeram parte da sua coligação - entre eles o DEM - na disputa contra o PT durante o segundo turno este ano." "O PT se colocou como oposição ao nosso governo e a população entendeu assim a última eleição." O governador Wagner se disse "surpreso e indignado" com as afirmações de João Henrique. Apesar disso, ainda não declarou oficialmente rompimento com o administrador da capital baiana. No entanto, embora tenha cogitado candidatura própria, João Henrique negou a possibilidade de rompimento. "Nem o governador nem o prefeito querem que haja problemas na administração da capital baiana", concluiu o prefeito. Desentendimentos As brigas entre PMDB e PT na Bahia já duram oito meses. Em abril, o partido do governador resolveu sair da administração municipal de Salvador para lançar uma candidatura própria à prefeitura. À época o PT comandava três secretarias da administração de João Henrique, entre elas a de maior orçamento - a da saúde. A decisão causou revolta entre os peemedebistas liderados pelo ministro Geddel.  Nos momentos mais "quentes" da briga o prefeito chegou a chamar os membros da legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "mentirosos" e "traidores". O PT se defendeu dizendo que a popularidade João Henrique era baixa e que acreditava que um candidato próprio teria mais chances de vencer a eleição. Ao fim do processo o atual prefeito conseguiu a reeleição no segundo turno contra o candidato do PT, Walter Pinheiro.

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