Prefeito de Prudente lamenta que Rainha tenha escapado

Nesta sexta-feira pela manhã o prefeito de Presidente Prudente, Agripino de Oliveira Lima Filho, foi visitar o fazendeiro Roberto Gargione Junqueira, que está preso na delegacia de Santo Anastácio por ter atirado em José Rainha Júnior, líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) no Pontal do Paranapanema. ?Você é um rapaz de valor?, disse o prefeito a Junqueira ao cumprimentá-lo com um abraço. ?Só cometeu um erro: deixou a raposa escapar.?O fazendeiro - que é engenheiro agrônomo formado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, de Piracicaba - esboçou um sorriso acabrunhado. O prefeito Agripino Lima - também presidente da Unipontal, entidade suprapartidária que congrega os 32 municípios da região ? olhou para o delegado Geraldo José Takushi, que acompanhava a cena em silêncio, e metralhou: ?A ordem está invertida neste País; os bandidos estão soltos e são apoiados por ministros e pelo governador de São Paulo.? Voltou-se então para o prisioneiro e completou: ?Você é um produtor rural, não um bandido; conte com meu apoio.?Junqueira, emocionado, agradeceu a visita. Um repórter da TV Globo perguntou quem era a raposa referida pelo prefeito. Este arregalou os olhos num espanto imenso: ?Todo mundo sabe quem é a raposa do Pontal que mata e rouba animais, que depreda a produção, que invade prédios públicos, que faz reféns, que faz o diabo, menos você! Acorda rapaz!? Aborrecido, Agripino Lima despediu-se de todos e foi-se embora.Particularmente, confidenciou ao Estado: ?Não tenho nenhuma afinidade com a União Democrática Ruralista (UDR), embora compreenda que esse pessoal teve de se organizar para enfrentar a guerra desencadeada contra eles. Vim visitar o Roberto Junqueira porque ele é trabalhador, soube que ele foi solidário comigo quando enfrentei o José Rainha. Ninguém se lembra de que fui deputado constituinte em 1988 e, por isso, sei muito bem que a Constituição não permite o ir e vir de bandidos. O MST é uma entidade ilegal, ilegítima e covarde porque se mantém numa atitude subversiva, sem caráter e sem coragem de se registrar.?Roberto Gargione Junqueira toma conta da fazenda de sua irmã Yone, que vive nos Estados Unidos. No dia 19 de janeiro, essa fazenda que se chama Santa Rita e fica no município de Rosana, foi invadida por um bando de 275 militantes do MST. Os sem-terra mataram a tiros quatro bois que foram transportados em caminhões da Cooperativa de Comercialização e Prestação de Serviços de Assentados da Reforma Agrária no Pontal (Coocamp). Acompanhado de dois peões, Roberto foi retirar o gado do pasto invadido. De repente, o cavalo que montava foi baleado.ReaçãoEle sacou seu revólver e atirou num homem que estava perto do carro de onde a bala havia partido. Esse homem era José Rainha Júnior, atingido apenas de raspão, nas costas. O ministro Raul Jungmann pegou o avião do Ministério do Desenvolvimento Agrário e foi visitar Rainha. Mas o ato de apoio, de solidariedade e de marketing político saiu pela culatra: o orador do MST encarregado de saudar o ministro declarou-o culpado e chamou-o de incompetente. No dia 29 de janeiro o juiz Cláudio de Paula dos Santos, da 1.ª Vara Federal de Presidente Prudente, despachou favoravelmente a ação de desapropriação da Fazenda Santa Rita, proposta pelo Incra.Na prisão de Santo Anastácio, Roberto Junqueira se arrepende de ter atirado em Rainha? ?Não tenho do que me arrepender?, esclarece. ?Havia mais de cem brasiguaios armados ao meu redor e todo mundo sabe que essa gente quando se arma não está para brincadeira. Fui obrigado a me defender com o recurso que tinha: um revólver com 2 centímetros de cano.?

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.