Prefeito de Maricá pode responder a processo por incitação à violência

Presidente do PT-RJ, o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, corre o risco de responder a processo por incitação à violência depois de pregar a "porrada" como forma de reação aos adversários. O Ministério Público de Maricá denunciou Quaquá ao Ministério Público Estadual, a quem caberia uma investigação contra o dirigente petista que, por ser prefeito, tem foro privilegiado. A decisão sobre abertura ou não de investigação criminal será do procurador-geral de Justiça do Rio, Marfan Vieira. A denúncia do MP municipal foi protocolada, mas ainda não chegou às mãos do procurador-geral.

LUCIANA NUNES LEAL, Estadão Conteúdo

28 Fevereiro 2015 | 13h42

Na noite de terça-feira, Quaquá publicou no Facebook um texto em que conclamava os companheiros a reagirem a agressões como a que foi sofrida pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, hostilizado quando acompanhava a mulher no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

"Contra o fascismo a porrada! Não podemos engolir esses fascistas burguesinhos de merda!", escreveu Quaquá. Em outro momento, afirmou: "Vamos pagar com a mesma moeda: agrediu, devolvemos dando porrada!"

O presidente do PT fluminense disse ainda que é hora de a "militância e os petistas responderem esses fdps (sic) que dão propina ao guarda, roubam e fazem caixa dois em suas empresas, sonegam impostos dão uma de falso moralistas e querem achincalhar um partido e uma militância que melhorou a vida de milhões de brasileiros".

Na mesma noite de terça-feira, defensores do impeachment da presidente Dilma Rousseff e militantes do PT brigaram com socos e pontapés na porta da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio, onde se realizava um ato em defesa da Petrobrás, com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em discurso, Lula pregou a paz, mas disse que os petistas sabem reagir a ataques. "Quero paz e democracia, mas, se eles não querem, nós sabemos brigar também", disse o ex-presidente. O petista afirmou que a reação pode acontecer, "sobretudo quando o (João Pedro) Stédile (líder do MST) colocar o exército dele nas ruas". Em reação, o Clube Militar publicou nota com críticas a Lula, a quem chamou de "agitador".

O clima entre defensores e opositores do governo Dilma e do PT tornou-se mais tenso com a proximidade do dia 13 de março, quando haverá, em várias cidades, manifestações pelo impeachment da presidente. Principal partido de oposição, o PSDB decidiu estimular o movimento, convocado nas redes sociais, mas não assumir a organização ou se associar de forma institucional ao "Fora Dilma".

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