Prefeito de Maceió é indiciado em caso de desvio

Almeida teria usado verba de gabinete como garantia de empréstimo quando era deputado

Ricardo Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

O prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), prestou depoimento ontem à Polícia Federal e foi indiciado no inquérito que apura o desvio de R$ 280 milhões da Assembléia Legislativa de Alagoas, descoberto pela PF com a Operação Taturana. Almeida é acusado ter contraído empréstimo bancário de R$ 120 mil, em 2003, quando era deputado estadual, usando como comprovação de renda a verba de gabinete e o aval do Legislativo alagoano. Segundo o delegado Janderlyer Gomes, que preside o inquérito sobre o caso, Almeida vai responder por formação de quadrilha, peculato, crime contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. Quando chegou à PF, Almeida conversou com os jornalistas e confirmou que pegou o empréstimo, mas que o dinheiro não foi para ele, foi para ajudar o deputado federal Francisco Tenório (PMN) a montar uma fábrica de beneficiamento de leite. Na época, Almeida e Tenório eram deputados estaduais. Procurado pelo Estado, Tenório não retornou as ligações.O depoimento de Almeida começou por volta das 15h e só terminou pouco depois das 18h. O prefeito deixou a Polícia Federal bastante agitado e falou pouco com a imprensa. Na saída, Almeida chegou a dizer que não sabia se tinha sido indiciado. O empréstimo que o prefeito contraiu foi revelado pela ex-gerente do Banco Rural Sandra Arcanjo em depoimento ao delegado Janderlyer. Segundo ele, entre 2003 e 2005, Sandra, atual secretária de Assistência Social da Prefeitura de Maceió, gerenciou as contas dos 27 deputados estaduais, na agência do Banco Rural no bairro do Farol. À PF, Sandra disse que os deputados contraíram empréstimos usando a Assembléia como avalista e a verba de gabinete como renda mensal. ASSEMBLÉIAA Assembléia Legislativa de Alagoas não conseguiu reunir quórum ontem para realizar sessão em que seriam eleitos membros para os quatro cargos vagos da Mesa Diretora. A eleição foi convocada pelo deputado Gilvan Barros (PMN), na condição de presidente substituto. Nova tentativa de realizar a eleição será feita hoje.A convocação foi feita por meio de edital, publicado na edição de ontem do Diário Oficial. Estão vagos os cargos de 1º, 2º e 3º vice-presidentes, além do 2º suplente. A Casa está sem comando - quatro integrantes da Mesa renunciaram e outros seis estão afastados das funções por decisão judicial.No edital, estão sendo colocados em disputa apenas os cargos dos quatro parlamentares que renunciaram. A eleição não vai incluir os postos dos seis parlamentares afastados da Mesa por decisão judicial - eles foram indiciados pela PF no inquérito da Operação Taturana.

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