Prefeito de Juiz de Fora renuncia ao cargo

CPI vai enviar ao Ministério Público seu relatório final, em que acusa Bejani de corrupção e fraudes em contratos

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2008 | 00h00

No dia em que foi indiciado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) municipal, que concluiu haver indícios de fraudes em contratos firmados pelo Executivo, o prefeito de Juiz de Fora (MG), Carlos Alberto Bejani (PTB), renunciou ao mandato para tentar escapar de cassação e manter seus direitos políticos.Cumprindo prisão preventiva, Bejani encaminhou pela manhã uma carta de renúncia à Câmara Municipal alegando que deixava o cargo para poder se dedicar exclusivamente à sua defesa.O relatório final, de 113 páginas, foi lido e aprovado ontem. O documento será encaminhado ao Ministério Público, a quem também será pedida a investigação de outras 12 pessoas.Segundo o presidente da CPI, vereador Izauro Calais (PMN), além de Bejani, foram indiciadas outras quatro pessoas: a secretária municipal de Saúde, Maria Aparecida Soares, o procurador-geral do município, Leon Gílson Alvim Soares, e dois empresários.Calais destacou que, durante a investigação, a CPI identificou fraudes em contratos e "uma relação promíscua e de corrupção com as empresas de ônibus". O prefeito aparece em vídeos apreendidos pela PF em que recolhe maços de dinheiro supostamente de propina paga pelo empresário do setor de transporte coletivo Francisco José Carapinha, o Bolão. Ele é acusado de receber propina para autorizar o reajuste das tarifas de transporte público do município, entre outras denúncias. Em três anos, a passagem subiu de R$ 1,20 para R$ 1,75. Durante a comissão foi apresentada a denúncia do empresário Arlindo Carvalho, que acusou Bejani de exigir R$ 200 mil para cada centavo de aumento na passagem de ônibus. "Para cada um centavo de aumento em 2005, ele ganha R$ 200 mil, o que gerou uma corrupção naquele ano de R$ 2,4 milhões", afirmou Calais. O Ministério Público entrou com ação para anular o último reajuste nas passagens, que subiu de R$ 1,55 para R$ 1,75.O vice-prefeito José Eduardo Araújo (PR) assumiu a prefeitura pela manhã. Sua primeira medida foi exonerar a secretária de Saúde e o secretário de Planejamento, Ricardo Francisco de Castro, irmão do deputado cassado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson (RJ). Araújo prometeu posteriormente uma "reforma mais ampla" no primeiro escalão e uma auditoria nas contas do município.Bejani foi preso pela primeira vez em abril, durante a Operação Pasárgada, que desmantelou esquema de liberação irregular de verbas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A PF colheu indícios de fraude na versão apresentada pelo prefeito para explicar a origem do R$ 1,120 milhão apreendido em sua casa, além de ter encontrado vídeos em que ele recolhe maços de dinheiro. No último dia 12, Bejani foi preso preventivamente em nova ação, a Operação de Volta para Pasárgada.O Estado não conseguiu contato com o advogado Marcelo Leonardo, que representa Bejani. A secretária e o procurador-geral do município ou seus representantes também não foram localizados.

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