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Prefeito de Duque de Caxias é inocentado de assassinato

O prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito dos Santos Filho (PSDB), foi absolvido por unanimidade pelos desembargadores da Seção Criminal do Tribunal de Justiça pelo assassinato do subsecretário de Serviços Gerais de Caxias Ary Vieira Martins, executado com um tiro na cabeça em 14 de agosto de 1993.Os desembargadores entenderam que não havia provas suficientes nos autos para incriminar Zito. O procurador-geral de Justiça, José Muiños Piñeiro Filho, disse que vai esperar a publicação do acórdão (decisão judicial) para decidir se vai ou não recorrer.Martins foi assassinado na frente do filho, Ary Júnior, na época com 17 anos. Em depoimento à 4ª Vara Criminal (Caxias), Júnior disse que viu uma grave discussão entre Zito e seu pai, que teria se recusado a liberar carros, máquinas e combustível requisitados por Zito, então presidente da Câmara dos Vereadores e em campanha para a Assembléia Legislativa.Na briga, Martins teria dito que só deixaria o cargo se Zito o matasse ou mandasse matá-lo. Uma testemunha contou também ter lido uma carta em que uma mulher narrava ter participado de uma reunião em que ficou decidida a morte de Martins. Zito estaria presente.Zito foi julgado como mandante do crime. Mas a carta citada pela testemunha nunca apareceu, e Ary Júnior negou seu próprio testemunho ao prestar novo depoimento, dessa vez na Seção Criminal, para onde o caso foi transferido quando Zito foi eleito prefeito.Ary Júnior foi nomeado assessor de Zito na prefeitura e hoje é lider da juventude do PSDB na cidade. Além disso, Juarez José da Rocha foi condenado a 15 anos de prisão como mandante confesso do crime. O Ministério Público acusou o prefeito de Caxias de ser "o mandante do mandante". "Há indícios de que Zito tenha participado do crime. Mas as provas não são suficientes porque surgiram do dizer?. Mas isso ocorreu diante das ameaças às testemunhas - e os autos as revelam aos borbotões. Não se pode pretender que se arregimentassem testemunhas para vir de viva voz contar suas versões", afirmou o desembargador Índio Brasileiro Rocha, um dos cinco magistrados que absolveram Zito por insuficiência de provas.Os outro quatro desembargadores entenderam que havia inexistência de provas. É esta divergência que o procurador Muiños Piñeiro pretende explorar para recorrer ao Superior Tribunal de Justiça. Ele pode entrar com um recurso especial no órgão, em Brasília, questionando a decisão. Em tese, como Zito é prefeito, ele deveria ser julgado em instância única.Zito, que é pré-candidato ao governo do Estado, saiu da sessão de quatro horas dizendo-se satisfeito porque a Justiça foi feita. Ele acredita que o julgamento tenha sido antecipado para um ano eleitoral para prejudicar sua campanha. Ele evitou citar nominalmente o governador Anthony Garotinho (PSB), seu inimigo político e que pretende eleger a mulher, Rosângela Matheus, para a sucessão estadual. Zito limitou-se a dizer: "Vou vencê-lo nas urnas".O prefeito de Caxias contou com o apoio de seu partido. Além do ex-governador Marcello Alencar, que foi testemunha de defesa no processo e assistiu ao julgamento até o fim, estiveram no fórum os deputados federais do PSDB Márcio Fortes e Dr. Heleno, afilhado político de Zito. Dezenas de vereadores de Caxias, a filha do prefeito, deputada estadual Andréa Zito, e até a cozinheira Tonica, responsável pela alimentação de Zito, também acompanharam a sessão.

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