Prefeito de Dourados lamenta memória curta de eleitores

O prefeito interino de Dourados, no Mato Grosso do Sul, juiz Eduardo Machado Rocha, afirmou hoje (07) que o município estava sendo governado por um "bando de aloprados". Em seguida lamentou: "Pena que essas mesmas pessoas que foram presas pela Polícia Federal voltarão pedindo votos e receberão os votos. O povo tem memória curta".

JOÃO NAVES DE OLIVEIRA, Agência Estado

07 de setembro de 2010 | 17h35

A afirmação foi em decorrência do esquema de corrupção que funcionava na Câmara e Prefeitura Municipal de Dourados, envolvendo 11 dos 12 vereadores locais, o prefeito, o vice-prefeito, a primeira dama e cinco secretários municipais. Também funcionários do terceiro escalão e empresários estão envolvidos, num total de quase 70 pessoas, das quais 28 foram presas.

O magistrado abriu pela manhã o desfile militar de 7 de setembro, e assistiu a manifestação "Grito dos Excluídos", pedindo a cassação de todos os envolvidos no episódio. O prefeito interino informou também que a partir de amanhã dará inicio aos levantamentos sobre os prejuízos financeiros causados pelos acusados aos cofres da prefeitura.

Um levantamento preliminar, baseado apenas nas denúncias de que cada um dos 11 vereadores envolvidos no esquema recebia em média R$ 170 mil por mês e o prefeito R$ 500 mil, o "rombo" poderá ultrapassar R$ 300 milhões. O calculo é de técnicos da prefeitura que consideraram as fraudes ocorridas nos últimos 12 meses.

O prefeito interino garante que cobrará das empreiteiras que foram contratadas pela prefeitura, por força de licitações fraudulentas, "os devidos prejuízos". Rocha adiantou também que até a decisão final manterá intactos todos os documentos relacionados aos gastos ocorridos nesse período.

Ele pediu a substituição das fechaduras de todas as portas do prédio da prefeitura e o Ministério Público lacrou as portas dos departamentos onde existam prováveis provas contra os acusados.

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