Prefeito de Chuí se refugia em Porto Alegre

Acuado pelas denúncias de que estaria ligado ao terrorista Osama bin Laden, principal suspeito de ter planejado o atentado nos Estados Unidos, o prefeito de Chuí (RS), Mohamad Kassen Jomaa (PFL), buscou refúgio em Porto Alegre e pediu apoio da Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa do Estado. Na semana passada, jornais uruguaios chegaram a publicar que se Jomaa atravessasse a fronteira (sua cidade fica exatamente na divisória do Brasil com o Uruguai, separada por uma avenida), ele poderia ser preso pela polícia do país vizinho. Tudo porque o pefelista, descendente de libanês, foi apontado pelo órgão de inteligência do governo do Uruguai como "representante do terrorista" no sul do País.A informação consta do inquérito 715/00 da Polícia Federal do Rio Grande do Sul, no qual Jomaa é investigado pela acusação de ter falsificado documentos para obter cidadania brasileira. "Não falo, nem escrevo em árabe e, da religião muçulmana, o único costume que pratico é o de ter várias mulheres", ironiza o acusado. O próprio superitendente regional da PF, Rubem Albino Fockink, garante não haver provas de conexão entre Jomaa e Bin Laden ou a máfia árabe, como sugerem os uruguaios, mas o prefeito acha que está correndo risco de ficar no Chuí."Ainda não sei se vou para o Chuí ou para onde vou. Estou sendo vítima de uma perseguição cruel", afirmou hoje Jomaa. Requisitado para resolver problemas da prefeitura, ele admite voltar para sua cidade amanhã, mas tomando precauções. "O diário El País disse que se eu cruzar a fronteira poderei ser preso. Desde sábado não atravesso mais a avenida."Jomaa condena o atentado terrorista que vitimou milhares de pessoas nos Estados Unidos, mas opina que uma onda de racismo está se propagando pelo mundo inteiro contra os árabes. "A única coisa que quero é terminar com essa novela de uma vez."

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