Prefeito de Campinas-SP se diz injustiçado

Em tom de despedida, o prefeito de Campinas (SP) Demétrio Vilagra (PT), cassado na noite da quarta-feira por 29 dos 33 vereadores, disse que vai recorrer junto ao Tribunal de Justiça paulista. Seu recurso pedirá a anulação da decisão da Comissão Processante (CP) que o tira do cargo e o torna inelegível por oito anos. O documento será protocolado só no dia 9 de janeiro, após o recesso da Justiça.

ROSE MARY DE SOUZA, Agência Estado

22 de dezembro de 2011 | 20h09

"Esse é um momento delicado. A decisão da Câmara foi ilegal e é uma injustiça praticada contra mim. Sou inocente", disse ele hoje em entrevista. Vilagra repetiu várias vezes que a Câmara não viu irregularidades antes, durante o governo, mas usa as denúncias do Ministério Público para "ganhar o governo de Campinas no tapetão".

Para Vilagra, a Câmara não tinha nenhuma prova para afastá-lo do cargo ao usar uma suposta declaração de um réu confesso (ex-presidente da Sanasa, Luiz Catrillon de Aquino, que se beneficiou de uma delação premiada frente ao MP) para incriminá-lo. "Nós vamos procurar na Justiça todos os meios legais".

Ele lembrou um momento durante a ditadura militar, em 1983, quando teve cassados os seus direitos políticos. "Fui à justiça, lutei e 23 anos depois consegui restabelecer os meus direitos", contou. Em sua avaliação, só o Judiciário poderá lhe devolver o mandato. "O que eu ganhei nas urnas é meu de direito", resumiu.

Sobre as irregularidades nos contratos da Sanasa, repetiu: "Eu não sabia de nada". Mesmo afastado, Vilagra fica no cargo até segunda-feira. O presidente da Câmara, Pedro Serafim (PDT), tomará posse após a publicação do ato no Diário Oficial do Município. Serafim tem 90 dias para convocar novas eleições em Campinas, nas quais será indicado um prefeito-tampão para encarregar-se da administração da cidade até 31 dezembro de 2012 - quando tomará posse o candidato eleito em outubro.

Tudo o que sabemos sobre:
cassaçãoprefeitoCampinasconsolida

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.