Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas
Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas

Prefeito de Campinas mantém academias e salões fechado e critica Bolsonaro

Jonas Donizette (PSB) diz que presidente 'joga para torcida' e transfere problema para municípios e estados, ao liberar abertura dessas atividades por decreto, sem aval da saúde

Ricardo Brandt, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2020 | 17h52

A prefeitura de Campinas decidiu nesta terça-feira, 12, manter fechadas as academias, os salões de beleza e barbeiros, contrariando decreto do presidente, Jair Bolsonaro, que incluiu esses serviços na lista de serviços essenciais que podem funcionar emergencialmente durante a pandemia da covid-19. As duas atividades continuam proibidas em Campinas, afirmou o prefeito Jonas Donizette (PSB), durante uma entrevista coletiva à imprensa virtual sobre as medidas contra a pandemia na cidade.

Presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) – que engloba as grandes cidades e capitais – e prefeito da maior cidade do interior de São Paulo, Donizette afirmou que a decisão de Bolsonaro foi indevida e “joga o problema no colo” de municípios e Estados. “Cria uma confusão na cabeça das pessoas. Gosto de falar a linguagem popular: isso chama jogar para a torcida; tirar o problema do colo e colocar no colo dos outros.”

Bolsonaro incluiu por decreto as academias, os salões de beleza e de barbeiros na lista de serviços essenciais, liberados para funcionar, agora composta por 57 atividades econômicas. A decisão publicada em edição extra do Diário Oficial da União pegou de surpresa até o ministro da Saúde, Nelson Teich, comunicado do fato pela imprensa durante entrevista coletiva, em que atualizava dados da covid-19 no País.

Já são mais de 168 mil casos de infectados pelo novo coronavírus e 11 mil mortes. Como a liberação não é automática, devido à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de que cabe aos municípios e Estados a formulação de suas políticas de saúde, inclusive de regras de quarentena e serviços essenciais.

O prefeito de Campinas afirmou que a liberação de academias e salões de beleza até poderia ser adotada em Campinas, se houvesse uma nota técnica do Ministério da Saúde, com fundamentos e critérios, o que não foi feito. A cidade está na zona vermelha da covid-19, com 622 casos confirmados até esta terça-feira e 27 mortes.

A prefeitura de Campinas chegou a apresentar um plano de retomada antecipada das atividades ao Estado, mas recuou. “Tem muita coisa que eu penso como ele (Bolsonaro)”, disse Donizette, que afirmou pessoalmente ser favorável à liberação dos salões de beleza, por exemplo. Mas que preferia seguir orientação de seu secretário de saúde e assessores da área, que recomendaram a manutenção da restrição de funcionamento a esses setores.

“O Brasil é um dos poucos países no mundo que está lidando com isso. Não é só o Bolsonaro que é a favor de trabalho”, afirmou o prefeito de Campinas. Defensor declarado da retomada gradual das atividades econômicas no País, em especial em São Paulo, de forma regionalizada, seguindo critérios técnicos de saúde e sanitários, baseados nos índices de contaminação, mortes, leitos disponíveis e de isolamento social, ele atacou o presidente.

“Não se faz, aquilo que ele fez”, afirmou o prefeito, que destacou que o decreto remete à uma normatização do Ministério da Saúde, que não foi publicada. “O ministro foi surpreendido.” 

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