Prefeito de Campinas 'empresta' proposta tucana ao criar Poupatempo

Na última quinta-, Jonas Donizete (PSB) batizou programa anticorrupção da cidade como PAC

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

04 de janeiro de 2013 | 19h54

CAMPINAS - Depois de emprestar a sigla PAC dos governos petistas para batizar um programa anticorrupção, o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), anunciou nesta sexta-feira, 4, a criação do Poupatempo Empresarial, que se apropria de uma bandeira do PSDB no governo do Estado de São Paulo para implantar uma agência voltada a agilizar documentos e serviços municipais para empreendedores. A versão campineira do Poupatempo faz parte de uma pacote de incentivos anunciados pelo prefeito para atrair empresas, inclusive com redução fiscal, após os escândalos de corrupção que contribuíram para a migração de investimentos para outros municípios.

"Usamos o mesmo nome propositalmente. Mantivemos um diálogo com o governo do Estado para usar esse nome, até para dar um caráter de rapidez. O Poupatempo é uma referência nesse sentido", explicou o prefeito.

Segundo Donizette, a prefeitura quer buscar uma parceria com o governador Geraldo Alckmin - seu principal aliado - para colocar serviços municipais no Poupatempo do Estado, que emite documentos como identidade e carteira de habilitação de forma expressa. "Vamos buscar usar a expertise desenvolvida pelo Estado no Poupatempo para agilizar os serviços municipais."

Segundo o prefeito, o modelo de Poupatempo voltado ao empresariado foi implantado com base na experiência adotada na prefeitura de Belo Horizonte, pelo prefeito Márcio Lacerda, também do PSB. "Nossa meta o prazo para que se consiga abrir uma empresa na cidade seja de nove dias", explicou o prefeito.

Na quinta-feira, Donizette lançou o Programa Anticorrupção de Campinas, que batizou de PAC Campinas - mesma sigla do Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal. Desde a campanha, o prefeito do PSB usa a aliança de seu partido com o PT, no Congresso, e com o PSDB, no Estado, para defender a bandeira que seu governo terá boas relações com os governos federal e estadual.

O Poupatempo Empresarial, que deve ser implantado até 2014, faz parte de uma série de medidas para buscar a retomada dos investimentos na cidade. Nos últimos anos, Campinas perdeu R$ 1,4 bilhão só com a ida de três grandes empresas para outras cidades: a John Deere, para Indaiatuba; a Samsung eletrodomésticos, para Limeira, e o centro técnico operacional do Banco Itaú, para Mogi Mirim.

Guerra fiscal. O prefeito anunciou também que encomendou aos seus secretários um levantamento sobre os incentivos fiscais concedidos por cidades do mesmo porte de Campinas, como Sorocaba e Belo Horizonte (MG), para fazer alterações na legislação local.

"Não se trata de competir com cidades da própria região. Entendemos que o desenvolvimento de cidades vizinhas implica no desenvolvimento de Campinas", afirmou o prefeito, que na segunda-feira, 7, apresenta seu plano de 100 dias de governo.

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