Prefeito de Buritis acusa Itamar de facilitar invasão

O prefeito de Buritis, Padre José Vicente Damasceno, do PPS, disse hoje que a invasão da fazenda Córrego da Ponte, de propriedade da família do presidente Fernando Henrique Cardoso mostra que o MST desviou-se de seu objetivo principal que sempre foi um agrande avanço da reforma agrária. "Não é assim que se faz reforma agrária. Eles tem o objetivo meramente eleitoreiro", avaliou o Padre Damasceno, que detalhou aos integrantes de seu partido, na Câmara, o episódio da invasão da fazenda.Ele relatou ainda que na sexta-feira, um dia antes da invasão da Fazenda Córrego da Ponte, o contingente da Polícia Militar de Minas foi deslocado para Unaí, deixando o caminho livre para que os sem-terra entrassem na propriedade, o que, na sua opinião, foi uma articulação do governador de Minas, Itamar Franco. Damasceno, que antes era aliado do MST, rompeu com o movimento a partir de janeiro, quando os sem-terra ocuparam a prefeitura entre 10 e 18 de janeiro. O prefeito afirmou que "a presença do MST no município constrange o ir e vir das pessoas, acaba com a rotina das famílias e prejudica o movimento do comércio, das escolas e do serviço público". Ele contou que quando o MST ocupou a prefeitura foram roubados máquinas de escrever, utensílios domésticos, material de limpeza e placas de computadores. A partir da chegada do MST na região, o prefeito disse que houve aumento de assaltos às residências. De acordo com suas informações, 70% do pessoal que ocupa a região não pretencem aos assentamentos de Buritis, vindos de regiões de Goiás, Unaí, Cabeceiras, Arinos e Brasília. Ao reforçar a informação de que o MST interfere na vida das pessoas, o Padre Damasceno disse que os sem-terra costumam ficar alojados em uma quadra de esportes. Se a quadra está fechada, contou, os sem-terra arrebentam a fechadura.Para ele, a presença da Polícia Federal na região não adianta nada uma vez que está destinada a fiscalizar uma fazenda de 2 mil hectares, que representa apenas 1% da região.

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