Prefeito de BH nega acusações de vice sobre suposta barganha por votos contra impeachment

O vice-prefeito, Délio Malheiros, acusou, em dídeo, o governo federal na figura do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, de pedir apoio de deputados do PSB contra o impeachment em troca de liberar verbas para a capital mineira; 'não tem fundamento', diz o prefeito, Márcio Lacerda

Ana Fernandes, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2015 | 19h48

O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), nega declarações de seu vice, Délio Malheiros (PV), sobre suposta barganha por votos contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Malheiros postou um vídeo no Facebook em que acusava o governo federal, na figura do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, de pedir apoio de deputados pessebistas contra o impeachment em troca de liberar verbas para a capital mineira. Segundo Malheiros, no vídeo, Lacerda teria pedido R$ 20 milhões devidos pela União em repasses referentes à construção de Unidades Municipais de Educação.

"Isso não é uma coisa republicana, esses recursos da Educação são vinculados, isso é política de Estado, não pode a União dizer que só passa dinheiro se tiver os votos contra impeachment da Dilma. (..) É um absurdo, temos que denunciar isso sim", diz Malheiros no vídeo.

Contatado pelo Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Lacerda não soube justificar a atitude do seu vice, mas disse que ele se equivocou ao basear-se em informações que leu na internet. "Não tem fundamento nenhum, absolutamente zero", disse o prefeito sobre a suposta barganha por apoio contra o impeachment. "Sinceramente, conversamos sobre o assunto do convênio e depois sobre a situação nacional, a posição dos partidos, uma conversa normal", afirmou.

O pessebista preferiu não comentar sobre a suposta movimentação do vice para ser candidato a sua sucessão no ano que vem. Malheiros tem se colocado como pré-candidato e lançou um blog para discutir política e questões locais, o "Blog do Délio", nesta segunda-feira, 14. Enquanto Malheiros se prepara para disputar, o prefeito e o PSB sinalizam que querem lançar o secretário de Obras, Josué Valadão, em 2016, para prefeito de BH.

Márcio Lacerda afirmou que a polêmica local em Belo Horizonte não tem qualquer relação com a decisão nacional do seu partido de adiar o posicionamento sobre impeachment - o PSB se reuniria para discutir a questão nesta quinta-feira, 17, em Brasília. Ele esclareceu que não assinou a manifestação de apoio ao mandato de Dilma, feito por outros prefeitos, mas ser pessoalmente contra o impeachment - posição que ele alega ter comunicado ao presidente do PSB, Carlos Siqueira.

"O impeachment não resolve nada. O que resolveria a situação era a presidente Dilma se desfiliar de acordos partidários, ter a grandeza de assumir os erros cometidos e chamar as lideranças da nação para formar um grande acordo. Precisamos ir pra grande política, sair da pequena política", disse à reportagem. Sobre a possibilidade de essa coalizão nacional ser conduzida por Temer, como defende a oposição, Lacerda diz preferir não "julgar" essa alternativa. "O impeachment traria outras formas de desequilíbrios que seriam difíceis de corrigir", ponderou.

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