Prefeito de BH defende aliança entre PT e PSDB

?País precisa de um grande acordo?, diz petista, que negocia com Aécio nome de consenso à sua sucessão

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2008 | 00h00

O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, uma das estrelas ascendentes do PT, pregou, em entrevista à revista IstoÉ, uma aliança de centro-esquerda entre seu partido e o PSDB, nos moldes da concertación chilena, para governar o País. "O Brasil precisa de um grande acordo de centro-esquerda. Chegou a hora de PT e PSDB construírem uma agenda comum para o País", afirmou. Pimentel e o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), negociam para indicar um candidato consensual à Prefeitura de Belo Horizonte, num gesto que pode representar o embrião de uma concertación à brasileira."Os dois partidos que têm mais capacidade de gerir um projeto nacional são o PSDB e o PT. Se pegar o ideário, origem desses partidos, eles têm tudo para estar juntos. Eles não são inimigos viscerais", afirmou Pimentel na entrevista. Não é a primeira vez que o prefeito propõe ações políticas conjuntas entre PT e PSDB, no que é sempre apoiado por Aécio.Ambos vêm de governos longevos. Pimentel cumpre o quarto mandato consecutivo do PT na capital mineira - desde a eleição de Patrus Ananias, em 1992, passando pelas duas gestões de Célio de Castro, que era do PSB, mas governava com a base do PT -, e Aécio foi reeleito.Em Minas, os dois atuam em sintonia desde o primeiro governo Aécio. O governador tem apoiado fortemente o prefeito, destinando recursos de vulto a obras na capital. Três delas, realizadas com 100% de recursos do Estado, são marcantes e estão mudando o perfil da cidade - a construção da Linha Verde (que liga o aeroporto de Confins à cidade), a reformulação da Avenida Antônio Carlos e a canalização, cobertura e ajardinamento do Ribeirão Arrudas. Os recursos estaduais para essas obras permitiram a Pimentel centrar fogo nos programas sociais da prefeitura na periferia.O resultado da concertación mineira é notório: hoje Aécio - que foi reeleito facilmente no primeiro turno - detém uma popularidade imensa em Belo Horizonte, num patamar que supera o próprio presidente Lula e só é ameaçado por Pimentel. Por causa disso, os dois optaram por lançar um candidato de consenso à prefeitura, evitando um choque de popularidades em que alguém, necessariamente, seria derrotado. O nome do candidato que será "nomeado" nas eleições de outubro ainda não está decidido, mas Pimentel já removeu a primeira barreira para concretizar o projeto: recebeu autorização do presidente Lula para tocar o projeto conjunto com Aécio.Falta agora superar a barreira mais complicada: convencer o PT mineiro, cheio de bolsões radicais, a aceitar a dobradinha com os tucanos. Um teste embrionário causou muitos problemas. Ao iniciar o segundo mandato, Aécio nomeou Tilden Santiago, fundador do PT e ex-embaixador em Cuba, para uma assessoria da Cemig e o PT quis que ele se demitisse. Tilden virou um símbolo da concertación mineira: resistiu e, depois de longo procedimento, acabou suspenso por 60 dias da filiação ao PT. Só não foi expulso por causa de uma liminar da Justiça.

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