Prefeito cassado de Campinas rompe silêncio e diz ser vítima de complô

Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio, teve seu nome ligado ao maior escândalo político da cidade e depois de dois anos resolveu falar sobre o episódio em seu blog pessoal

Ricardo Brandt - O Estado de S.Paulo

22 Abril 2013 | 13h45

O prefeito cassado de Campinas Hélio de Oliveira Santos (PDT) quebrou o silêncio depois de dois anos, após o maior escândalo de corrupção da prefeitura local, e lançou um blog na última semana em que se diz inocente e vítima de um "complô político".

"Após um período de um exílio forçado político, por circunstâncias que eu vou ter oportunidade de relatar para todos a verdade a respeito desse episódio que culminou obviamente num complô político com a perda de um mandato popular", afirma Dr. Hélio em um vídeo.

Onze quilos mais magro, de volta aos estudos de medicina, Dr. Hélio afirma ser vítima de "jogo de cartas marcadas". "Determinados jogos de cartas marcadas do poder acabaram me levando a esse exílio forçado, numa tentativa de proteger a minha própria família", explica o prefeito cassado, sobre seu silêncio, desde 21 de agosto de 2011, quando deixou o cargo, cassado pela Câmara.

"Tudo aquilo que eu pudesse falar naquele instante poderia ser interpretado de outra forma, seria distorcido e poderia trazer problemas para a Rosely, para a minha família. Por isso, me mantive em silêncio, depois que me defendi durante horas e horas na Câmara Municipal, que buscou estabelecer aquele golpe político", explica Dr. Hélio no vídeo.

A ex-primeira-dama Rosely Santos é a principal acusada no Caso Sanasa, processo em que 22 pessoas, entre ex-secretário, servidores e empresários são acusadas pelo Ministério Público por formação de quadrilha, corrupção e fraudes em licitações na empresa de água de Campinas. De 2005 a 2008, segundo a investigação, eles teriam desviado mais de R$ 200 milhões dos cofres públicos por meio de fraudes em contratos e superfaturamentos.

O suposto esquema de corrupção veio à tona em maio de 2011, quando 11 pessoas foram presas em uma megaoperação policial, entre elas o então vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT), secretários municipais e ex-diretores da Sanasa. Na ocasião, a mulher de Dr. Hélio também teve a prisão decretada, mas não chegou a ser detida. Ela é apontada pelo Ministério Público como chefe da suposta quadrilha.

"Golpe político". Apesar do nome do então prefeito nunca ter aparecido nas investigações, uma comissão processante foi aberta contra ele na Câmara de Vereadores, que culminou em sua cassação. O vice do PT, que é um dos réus do processo, assumiu como prefeito, mas também foi alvo de impeachment em dezembro.

"Fiz uma opção pelo meu povo e isso incomoda", afirma Dr. Hélio, no blog, que foi colocado no ar no dia 16 e até agora tem três textos. "Nunca deixei Campinas, nunca fui viajar para outros países, sempre fiquei aqui num regime de enclausuramento."

Segundo Dr. Hélio, a página na internet será seu canal de comunicação. "Vou contar a verdadeira história desse golpe político na terra de Carlos Gomes."

 

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