Prefeito apostou na contradição dos adversários em Natal

O prefeito e candidato a reeleição, Carlos Eduardo Alves (PSB), enfrentou os deputados federais Ney Lopes (PFL), Fátima Bezerra (PT) e o estadual Luiz Almir (PSDB), montando armadilhas em perguntas elaboradas por sua assessoria, fazendo seus adversários caírem em contradição. Por outro lado, foi alvo de acusações nas áreas da saúde, educação, contratos e até pela queda do telhado de uma escola pública. O pefelista e Luiz Almir criticaram o prefeito por não ter entregue à Câmara Municipal a proposta orçamentária para 2005. Ney Lopes disse que o prefeito deixou de aplicar R$ 1,3 milhão que seriam destinados a capacitação de servidores para investir em publicidade. O deputado federal insinuou que o prefeito pode ter cometido crime de responsabilidade ao publicar decreto 7.132, de 16 de janeiro de 2003, estabelecendo compras a terceiros e prorrogação de contratos. Ney disse que desistiu de obter uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) para disputar o pleito em Natal. Prometeu vender produtos da cesta básica 30% mais baratos, na periferia.O debate começou a esquentar no segundo bloco, quando o prefeito perguntou ao deputado Ney Lopes, o que ele achava do programa assistencialista "Tributo à Criança", que atende a famílias carentes natalenses. O pefelista elogiou o programa e disse que participou de sua implantação quando foi vice da então prefeita Wilma de Faria - entre 1989 e 1992. "O senhor cometeu um grande equívoco, pois o programa foi iniciado em 1997", ironizou Carlos Eduardo. Ofendido, Ney Lopes respondeu que "a administração municipal só existe na TV". O tucano Luiz Almir garantiu ter uma gravação com pessoas que afirmam que vão trabalhar para o candidato do PSB, no dia da eleição por R$ 15,00. Aproveitou para abordar a queda do telhado de uma escola municipal em junho, que feriu 150 pessoas e causou a morte de uma criança. "Ele (o prefeito) fez 12 escolas e uma caiu na cabeça do povo, imagine a proporção se ele fizesse 100", bateu o candidato do PSDB. Em outro momento do debate, a candidata petista disse que as famílias atingidas, no acidente, não receberam nenhum tostão. Quando os adversários do prefeito criticaram a condução da saúde pública em Natal, Ney Lopes aproveitou para centrar fogo no que ele chama de omissão da gestão que tenta a reeleição. O prefeito perguntou por que a petista votou contra o salário mínimo de R$ 275,00. "Votei como votou o seu partido (PSB)", retrucou Fátima. Carlos Eduardo não deixou por menos. "Vossa Excelência se contradisse em relação aos seus 20 anos de vida política. Quando eu era deputado estadual, assistia a senhora pedir aumento salarial para quase tudo".

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