Prefeito admite corrupção sanguessuga em Vinhedo

O prefeito de Vinhedo (SP), João Carlos Donato (PL), admitiu nesta segunda-feira que a "Máfia dos Sanguessugas" pode ter atuado na administração local. Ele aparece na lista de 60 prefeitos que supostamente aceitaram suborno da empresa de fornecimento de ambulâncias Planam, do empresário Luiz Antônio Vedoin. Donato não admite, entretanto, que ele tenha recebido R$ 39 mil, em 2005, como o empresário declarou à Justiça Federal, fato reproduzido pela revista Veja desta semana."O que pode ter acontecido é a corrupção ter sido realizada na administração anterior ou algum servidor nessa administração ter recebido o dinheiro em meu nome", disse o prefeito, que se diz dono de uma empresa de produção de lixas com faturamento R$ 50 mil ao mês. Donato já contratou um advogado para acompanhar o processo da Planam e baixou uma portaria para investigações na prefeitura sobre o assunto.No centro da acusação em Vinhedo está a compra de duas ambulâncias em uma licitação vencida pela Planam em 2004, ao preço de R$ 77.980 cada veículo. A prefeitura pagou com R$ 120 mil arrecadados com verbas do Ministério da Saúde mais R$ 24 mil da própria administração. Donato, no entanto, afirma que o convênio com o Ministério e a licitação foram realizados na gestão do ex-prefeito Milton Serafim.O pagamento das ambulâncias, entretanto, foi feito na administração Donato, defende-se Serafim. O ex-prefeito afirmou que o dinheiro federal não havia sido liberado até quando ele deixou a prefeitura, em 2004. "Quanto saí cancelei o empenho, que o novo prefeito refez. Assim que ele entrou o dinheiro saiu", observou.Serafim e dois ex-secretários da cidade estão envolvidos com a justiça processados por exigir propina para liberar loteamentos em Vinhedo. Eles permaneceram presos por dois meses e agora respondem em liberdade.A verba para as ambulâncias foi destinada por emenda parlamentar do deputado federal por Indaiatuba (SP) Neuton Lima (PTB). O deputado não fala sobre o assunto. Outro deputado, de Americana, na Região Metropolitana de Campinas (RMC), Ildeu Araújo (PP), também acusado de pertencer à máfia, nega qualquer crime.

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