Preço do gás natural deve subir, diz presidente da Petrobras

José Sergio Gabrielli disse que Brasil não tem como atender demanda no curto prazo.

Daniel Gallas, BBC

31 de outubro de 2007 | 16h40

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse nesta quarta-feira que o preço do gás natural deve subir para os consumidores finais no Brasil.Durante visita a Londres, onde participa de uma conferência, o presidente falou a jornalistas sobre a decisão de reduzir o fornecimento de gás natural a distribuidoras no Rio de Janeiro e São Paulo.Quando perguntado se o preço do gás natural para os consumidores deve subir no médio e longo prazo no Brasil por falta de oferta, Gabrielli respondeu: "Sim, eu acho que você está certo".Ele não soube estimar um valor ou um prazo para o preço do gás natural subir, mas disse que a Petrobras não tem condições, "pelo menos no curto prazo", de atender a demanda por gás natural.Segundo dados do governo, o gás natural responde por 8,3% da energia consumida no Brasil em 2006. A previsão da Petrobras é que esse número ultrapasse 12% até 2010.O Brasil tem a segunda maior frota mundial de carros movidos a gás natural, atrás apenas da Argentina.O presidente da Petrobras disse que o fornecimento de gás só foi cortado para as distribuidoras CEG e CEG-Rio porque as duas companhias estão consumindo hoje mais gás natural do que o que foi acertado no contrato.Com o crescimento da demanda de gás natural por parte das usinas termelétricas, a Petrobras decidiu não entregar gás natural para as distribuidoras, por não ter condições de atender a demanda de todos.Gabrielli ressalta que a Petrobras suspendeu apenas o fornecimento da quantidade de gás natural que excede os contratos com a CEG e a CEG-Rio.Devido à redução no fornecimento nas distribuidoras, alguns postos de gás natural no Rio de Janeiro já registraram aumento do preço.Nesta quarta-feira, uma liminar da Justiça do Rio determinou que a Petrobras retome o fornecimento de gás natural às distribuidoras.Gabrielli diz que a Petrobras já vem tentando há algum tempo renegociar os contratos com as distribuidoras."Gás natural não é um produto que você vai no supermercado e compra. Mercado de gás é contratual. Precisa haver contratos de longo prazo, envolvendo previsão de consumo e de produção", disse o presidente da Petrobras."O monopólio (do gás natural) pertence às distribuidoras estatais. A Petrobras não tem como definir quem será o consumidor final do produto."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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