Precisamos 'recasar' o País com a Copa, diz Carvalho sobre Brasil pós-protestos

Em entrevista à revista ligada à fundação petista, ministro acredita que resgatar imagem do evento pode ajudar a reverter crise causada por manifestações e critica Congresso por ignorar pactos de Dilma

Lilian Venturini - O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2013 | 12h32

O governo federal quer fazer os brasileiros se apaixonarem de novo pela Copa de 2014. Para o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, resgatar a imagem do evento, um dos alvos principais nos protestos de junho, vai ajudar a reverter a crise deixada pelas manifestações. "Precisamos fazer um recasamento do País com a Copa", disse o ministro em entrevista publicada neste mês pela Teoria e Debate, publicação da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT. Ao fazer um balanço sobre os impactos dos protestos, o petista criticou a resposta do Congresso, que, segundo ele, não se 'sensibilizou' com as propostas de Dilma.

 

Responsável por fazer a interlocução com movimentos sociais, o ministro afirmou reconhecer que "não será simples" reverter a crise sofrida pelo governo. "Me refiro à perda de apoio popular. Não será simples [reverter], não é mais do mesmo que terá de ser feito. Precisamos fazer inovações na perspectiva de aumentar a participação, fazer novos gestos em relação, por exemplo, à Copa do Mundo." Depois de junho, os índices de aprovação ao governo caíram de 50% para 30%, em média, de acordo com pesquisas de opinião.

 

Durante os protestos, manifestantes questionaram os gastos federais para execução das obras e em tom irônico cobravam o "padrão Fifa" para serviços públicos. Segundo Carvalho, o governo precisa mostrar aos brasileiros que as cidades serão beneficiadas pelo evento e que os estádios são um "bem público". "[Se não conseguirmos] estaremos fadados ao fracasso", diz Carvalho. E complementa: "Não podemos passar por problemas como foi na Copa das Confederações", disse.

 

Sobre os pactos propostos por Dilma em resposta às manifestações, Carvalho defendeu a proposta da reforma política por meio de plebiscito e aproveitou para alfinetar a reação do Congresso. A ideia de mudar o sistema eleitoral foi defendida em discurso em rede nacional, mas não avançou entre os parlamentares, a quem caberia levar a proposta adiante.

 

"Eu esperava do Congresso uma atitude mais magnânima, mais aberta, que tivesse se sensibilizado mais pelas propostas da presidenta. Sobretudo com relação ao plebiscito para a reforma política, foi uma grande oportunidade que abriria uma janela de diálogo", critica o ministro.

 

Em sua defesa pela reforma política, Carvalho disse ainda que o processo é necessário, já que a cultura política brasileira está "em xeque". "Isso em razão dos seus erros e de um tipo de comunicação predominante que criminalizou a política", afirmou ao opinar sobre os veículos de comunicação.

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