Pré-candidato do PT em SP abre espaço para diálogo com PSB

Prefeito de Osasco, Emídio de Souza, deu caráter formal oficial às articulações comandadas nos últimos dias

estadao.com.br,

23 Outubro 2009 | 15h49

Pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, deu caráter formal às articulações comandadas nos últimos dias por caciques do partido no Estado, com o objetivo de preparar o apoio a uma candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB) ao Palácio dos Bandeirantes em 2010. Em nota publicada em seu site, Emídio colocou-se à disposição da sigla para disputar o governo paulista. Mas deixou claro que não fará oposição à estratégia liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para montar um palanque forte para a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Leia abaixo a íntegra do texto:

 

"Sintonizar São Paulo ao Brasil

 

Carta aberta aos filiados e simpatizantes do PT no Estado de São Paulo

 

Emídio de Souza

 

Prefeito de Osasco

 

Unir as forças renovadoras e sintonizar São Paulo com o Brasil

 

Nas eleições gerais de 2010 os brasileiros definirão nas urnas o que esperam para o Brasil e seus Estados. A decisão dos eleitores será feita com base, essencialmente, entre dois projetos de nação. Um, democrático, social, desenvolvimentista e sustentável. Comandado com maestria pelo presidente Lula, escudado na força do PT e dos partidos da base aliada do governo federal. O outro, conservador, privatista e neoliberal, praticado pelo PSDB.

 

A escolha será entre o presente e o futuro promissores que vivenciamos com os programas do governo federal como o PAC, Pré-sal, Biocombustíveis, Minha Casa Minha Vida e tantos outros que melhoram substancialmente a vida dos brasileiros, levando o país a um lugar de destaque jamais experimentado no concerto das principais nações do mundo. Ou o passado de atraso econômico, juros astronômicos, desemprego e submissão internacional dos tempos de Fernando Henrique Cardoso.

 

Nesse processo, o Estado de São Paulo desempenhará papel estratégico. Será em terras paulistas que se desenvolverá a batalha central dessa disputa política e eleitoral. Maior Estado em população e detentor da maior fatia de contribuição para o PIB do país, São Paulo sintetiza a polarização entre PT e PSDB que marca os últimos quinze anos da política brasileira. Aqui o antagonismo dos projetos petista e tucano é mais pungente.

 

Também em São Paulo, duas escolhas basicamente estarão à disposição dos eleitores. Escolher o candidato que vai representar mais de duas décadas de atraso, produzido pelo neoliberalismo das gestões do PSDB, ou votar a favor de uma nova alternativa que se expressa no projeto do PT e dos partidos aliados e se materializará num programa de governo moderno e renovador para o Estado.

 

Nesse contexto, a eleição direta para as direções do PT e a realização do nosso 4º Congresso serão momentos decisivos para a reestruturação e fortalecimento do partido. Fazer o melhor PED e o melhor congresso de nossa história deve ser a meta da militância petista. Assim estaremos preparados para enfrentar e vencer o grande desafio de eleger a primeira mulher presidente do país. Mantendo e avançando o atual projeto nacional de desenvolvimento econômico e social com distribuição de renda e inclusão cidadã de milhões de brasileiros. E também conquistando o governo estadual, derrotando os tucanos no seu ninho e sintonizando o Estado de São Paulo com o momento positivo do Brasil.

 

Esta deve ser a maior motivação para que os militantes façam do PED e do 4º Congresso instrumentos de debate, revitalização e mobilização de nossa base partidária e social. Sobre nossa prioridade não pode pairar dúvida. Devemos preparar o PT para manter-se à frente do governo federal, elegendo a companheira Dilma presidente em 2010, para continuar e avançar a revolução social que iniciamos em 2003.

 

O que deve nos unir é o apoio a Dilma presidente e a certeza de que é chegada a hora de renovar o governo estadual e resgatar São Paulo da situação lastimável em várias áreas. Na segurança, com o crime dando as cartas. Na educação, com o abandono das escolas e a desvalorização dos professores. Na saúde, com a população sofrendo nas filas e na habitação e saneamento básico com a inoperância do CDHU e da Sabesp.

 

Além de solucionar os problemas dessas áreas, a população paulista demanda um governo que priorize a aceleração do crescimento econômico no Estado de maneira sustentável com o meio ambiente. Ao mesmo tempo em que se fomenta um novo ciclo de desenvolvimento científico e tecnológico potencializando a atuação de nossas universidades e centros de pesquisa e estudo.

 

A verdade é que a sociedade paulista está mais consciente e percebe o desgaste no modo de governar dos tucanos. Com uma nova gestão progressista e aliada à continuidade do governo de Lula, São Paulo tem tudo para voltar a ser a locomotiva do país. Um bom exemplo é a descoberta do pré-sal que fará do Estado, na próxima década, o segundo maior produtor de petróleo no país. É nosso papel garantir que essa nova riqueza seja utilizada para melhorar a vida de todos.

 

A incompetência do atual governo estadual fica ainda mais evidente quando contraposta ao ritmo de realizações e conquistas do governo Lula e dos 64 municípios administrados pelo PT no Estado. Basta comparar a rapidez e competência do governo federal nas dezenas de medidas de enfrentamento da crise, com a ineficiência de Serra, que, letárgico, governa o principal centro econômico e financeiro do país.

 

Vamos trabalhar com determinação para reproduzir em São Paulo o mesmo arco de alianças que apoia o governo Lula. Montar para nossa candidata o palanque mais amplo e representativo, com as relevantes forças políticas e sociais paulistas. Nossa melhor estratégia é enlaçar o projeto estadual ao nacional de modo a que um fortaleça o outro. Fazendo da vitória das forças progressistas em São Paulo uma poderosa alavanca para o projeto de continuar melhorando a cada dia o país.

 

Reafirmando a prevalência do projeto nacional com a eleição de Dilma presidente, a prioridade para elaboração de um programa de governo e tendo em conta a decisão da direção estadual de oferecer nomes para o debate com os partidos aliados, coloco-me à disposição do PT e de todas as forças progressistas de São Paulo para disputar o governo estadual.

 

Essa decisão é motivada pelo apoio e adesão de muitas lideranças importantes do partido e da sociedade, que veem no meu nome e no trabalho desenvolvido à frente da Prefeitura de Osasco, um instrumento para canalizar energias, partidos e grupos sociais em prol da renovação da política estadual. A experiência de comandar a quinta maior cidade do Estado reafirmou minhas convicções na importância das alianças para ganhar e também governar com democracia e participação social.

 

Assim, mesmo consciente que o PT possui no estado enorme força e representatividade social, e reúne entre suas lideranças diversos companheiros capacitados para pleitear o cargo de governador; posiciono-me pela abertura e diálogo, sem vetos, a todas as alternativas apresentadas pelos partidos que venham a se unir para derrotar o projeto dos tucanos em São Paulo. Considero que, em nome da prevalência política do projeto nacional, podemos juntos chegar ao melhor acordo para as forças renovadoras no Estado.

 

Encerro com um chamamento à militância e lideranças pela unidade em torno da candidatura de Dilma a presidente e pela união, organização e fortalecimento da oposição à aliança demo-tucana em São Paulo. Com um PT plural e aberto ao diálogo com todas as forças democráticas, estou convicto de que podemos conquistar pelo voto popular o direito de iniciar uma nova, democrática, transparente e eficiente administração que propicie uma melhor qualidade de vida e um futuro promissor aos brasileiros de São Paulo.

 

Emidio de Souza

 

Prefeito de Osasco-SP"

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