Prazo para definição de candidato divide PSDB

DEM quer empurrar escolha para maio; 'alckmistas' defendem abril

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

23 de fevereiro de 2008 | 00h00

O prazo para definição do candidato à Prefeitura de São Paulo é o mais novo cabo-de-guerra entre as facções do PSDB paulista, que se dividem entre a escolha do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e apoio ao atual prefeito Gilberto Kassab (DEM). O DEM quer que a decisão se dê em maio, quando, projeta, Kassab terá crescido nas pesquisas; Alckmin acha que a definição não pode passar de abril. Na semana passada, a articulação política do governo José Serra falou em junho - a principal adversária dos tucanos, ministra Marta Suplicy, do PT, tem até 5 de junho para se desincompatibilizar.Na terça-feira, dia 12, Alckmin e Serra tiveram uma longa conversa sobre sucessão municipal. Nela, não se falou em 2010; Serra repetiu que, se quiser, Alckmin será o candidato do PSDB à prefeitura e terá seu apoio. O ex-governador ressaltou que estava cumprindo fielmente o acertado com Kassab no almoço que celebrou a paz entre os dois, na casa do secretário estadual de Relações Institucionais, José Henrique Lobo. Alckmin cessou as movimentações de pré-candidato e desmobilizou as ações em seu apoio. Mas cobrou a definição do nome até abril.PACIÊNCIA FRANCISCANAAlckmin não disse a Serra, no entanto, que sua intenção, ao se candidatar à prefeitura, é quebrar a lógica da estratégia política de Serra para 2010 e promover a criação de um segundo pólo de influência no PSDB paulista. Um "alckmista" reconheceu na semana passada que, se ganhar a prefeitura, Alckmin terá forte influência sobre a escolha do candidato tucano à sucessão estadual - se Serra for candidato à Presidência. Está em suas contas, também, que a partir de agora o governador estará cada vez mais envolvido em tecer a articulação nacional vital para sustentar sua candidatura presidencial, cedendo espaços na política paulista.A conversa dos dois ajudou a convencer Serra de que Alckmin não abandonará a convicção de que a candidatura à prefeitura é o ponto de partida ideal para reconstruir sua carreira política. E, neste momento, não há nada que Serra possa oferecer ou dizer que lhe mude o propósito. A única hipótese seria uma reversão repentina da preferência popular por Alckmin, mas o forte recall de seu nome não sugere isso.Os "alckmistas" julgam que Kassab será candidato mesmo que não reúna possibilidades concretas de vitória. A versão dos aliados do ex-governador para o acerto com o prefeito, firmado em 23 de janeiro, foi de que os dois seriam candidatos e quem fosse para o segundo turno seria apoiado pelo perdedor. A versão do prefeito é diferente: ele segue afirmando a amigos que a antiga coligação PSDB-DEM será integralmente preservada e não haverá dois candidatos no primeiro turno, mas apenas um - o que tiver melhores condições eleitorais.A trégua, se serviu para reduzir a exposição pública da disputa entre Alckmin e Kassab, valeu mais ainda para o ex-governador exercitar sua propalada paciência franciscana. Ele vai continuar esperando por evidências da supremacia de um dos nomes sobre o outro. O tucano garantiu esta semana a um amigo que de maio não passa.

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