Prazo eleitoral acelera troca-troca de legendas

A três meses da data limite de filiação para quem quer participar da corrida eleitoral de 2002, a temporada de troca-troca de partidos no Congresso já começou. As negociações envolvem líderes do PSDB e do PMDB interessados em garantir espaço político em outras legendas para disputar as eleições estaduais. Estão na lista dos prováveis dissidentes o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), e o deputado Michel Temer (PMDB-SP), ex-presidente da Câmara.Rompido com o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), o líder tucano está de malas prontas para ingressar no PMDB, de olho numa legenda para lançar sua candidatura ao governo do Estado. No PSDB, Machado não teria a vaga para disputar a eleição, porque Tasso já tem suas opções para a própria sucessão - os senadores Lúcio Alcântara (PSDB-CE) e Luiz Pontes (PSDB-CE). O líder tucano tem até o fim de setembro para formalizar sua decisão.Pelo mesmo motivo, o senador Fernando Bezerra (PTB-RN) saiu do PMDB, onde disputava espaço com outro candidato ao governo de seu Estado, o peemedebista Henrique Eduardo Alves. A crise que enfrentou à frente do Ministério da Integração Nacional, em razão das denúncias de corrupção envolvendo recursos liberados pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), o levou a um desgaste interno com os correligionários do PMDB, a quem acusou de falta de solidariedade.No Senado, mais seis parlamentares estudam a possibilidade de abandonar suas legendas: Saturnino Braga (PSB-RJ), Gerson Camata (PMDB-ES), José Alencar (PMDB-MG), Álvaro Dias (PSDB-PR), Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB) e José Fogaça (PMDB-RS). Ameaçado de ser expulso do PSDB por ter assinado o requerimento de CPI da Corrupção no Senado, Osmar Dias (sem partido-PR) abandonou a legenda e negocia com PT, PPS e PMDB.Renan - Brigado com o PT, Lauro Campos já tem outra casa, o PDT, e Juvêncio da Fonseca, ex-pefelista, foi recebido pelo PMDB. O irmão de Osmar Dias, senador Álvaro Dias, que também deve ser afastado do PSDB, deixou para agosto a decisão sobre seu futuro partidário. Ele vem participando de conversas com o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), na busca de espaço para concorrer ao cargo de governador do Paraná. Negocia a composição de uma chapa em que o senador Roberto Requião (PMDB-PR) disputaria a reeleição.Tendo como pano de fundo as disputas regionais e a perda de poder em suas legendas no âmbito local, Camata negocia sua filiação ao PPS e José Alencar conversa com o PT e o PTB. Saturnino Braga, em franca briga com o governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB), também vem sendo assediado pelo PT.O PMDB corre o risco de perder mais dois senadores, José Fogaça (RS) e Ronaldo Cunha Lima (PB). Em fogo cruzado com seus colegas no Rio Grande do Sul - o senador Pedro Simon (PMDB-RS) e o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha -, Fogaça pode abandonar a legenda e levar junto o ex-governador Antonio Britto. Cunha Lima analisa a eventualidade de trocar de sigla por causa da briga por espaço com o senador Ney Suassuna (PB).A depender dos objetivos de cada parlamentar, o Senado poderá ser uma Casa diferente. Depois de uma radiografia das bancadas em 1999, quando tomaram posse 27 dos 81 senadores, é possível visualizar a dança das cadeiras na base aliada. O PSDB teve o maior número de baixas: de 16 senadores, a bancada agora tem 12. O PMDB tinha 24 senadores e o PFL 19 - agora têm 26 e 21, respectivamente.Sem fidelidade - Na Câmara, o troca-troca também é intenso. Depois de ser derrotado na convenção estadual do PMDB, numa queda-de-braço com o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, Temer abriu negociações com o PPS e é assediado também pelo PTB e PSB. Sem espaço em seu partido, Temer adota a cautela para escolher o partido que pode vir a ser seu palanque para o governo estadual.Não menos assediada é a deputada Rita Camata (ES), que ameaçou deixar o PMDB, aborrecida com a derrota na convenção estadual do partido e seus embates com a cúpula partidária. Rita já foi sondada por PT e PPS.Sem o charme que consagrou Rita, o deputado João Caldas (PL-AL) também não é um bom exemplo de fidelidade partidária. Em primeiro mandato na Câmara, ele já conseguiu passar por três partidos nesse período: permaneceu por uma semana do PST, teve uma passagem de 30 dias no PTB e agora desembarcou no PL. E sem promessas de ficar.

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