PR-RJ cobra apoio público a Garotinho para anunciar voto

Depois de duas e meia de reunião, o diretório do PR do Rio de Janeiro resolveu optar pela neutralidade temporária na disputa à Presidência no segundo turno. O partido deve apoiar o candidato que aceitar aparecer publicamente ao lado do ex-governador Anthony Garotinho, principal liderança local da legenda e deputado federal mais votado no Estado no último dia 3.

ALFREDO JUNQUEIRA, Agência Estado

15 de outubro de 2010 | 20h02

A maior parte da Executiva, da bancada federal e dos militantes da sigla manifestou-se a favor do apoio a José Serra (PSDB). Os que defendiam a opção por Dilma Rousseff (PT) eram alvo de vaias. Como não havia consenso, o candidato derrotado ao governo do Rio, Fernando Peregrino, apresentou a proposta de se esperar uma manifestação explícita de um dos candidatos.

"Vamos ficar neutros até que eles decidam nos assumir como aliados", resumiu Garotinho, após a confusa a reunião. "Não quero aqui fazer o papel de amante. Quem quer o nosso apoio, tem que ser em público."

Durante o encontro, o ex-governador disse ter recebido ligações de petistas e tucanos. Garotinho citou o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, e o candidato a vice-governador na chapa de Fernando Gabeira (PV), o ex-deputado federal do PSDB Márcio Fortes, como exemplos de lideranças políticas interessadas em seu apoio.

"A candidata (Dilma) já veio ao Rio nesse segundo turno e não nos procurou. Fez uma carreata na Baixada Fluminense, onde tive 200 mil votos, e não me convidou", reclamou Garotinho. "Os líderes do PSDB me ligaram, mas eu preciso falar com o Serra. Quem manda é o candidato. Não estamos atrás de cargos, mas atrás de compromissos. E quem os cumpre é o candidato. Estou esperando a ligação (do Serra) até agora."

Problemas na Justiça

Garotinho recebeu 695 mil votos para deputado federal. Ajudou a eleger outros sete candidatos à Câmara dos Deputados. Apesar do forte capital político no Rio, terceiro maior colégio eleitoral do País, Garotinho enfrenta uma série de problemas na Justiça e alta rejeição por parte do eleitorado fluminense - principalmente pela classe média na capital do Estado.

Ele só conseguiu concorrer com uma liminar concedida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pois seus direitos políticos estavam cassados até 2011. Na Justiça Federal, foi condenado em agosto a dois anos e meio de prisão por formação de quadrilha - acusado de liderar politicamente uma organização criminosa formada por policiais que vendia proteção a bicheiros.

Além de aparecer ao lado de Garotinho, o candidato que quiser seu apoio deverá se comprometer a manter o atual sistema de distribuição de royalties do petróleo, a não privatizar empresas públicas e a revogar o decreto que estabeleceu a terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), entre outros pontos.

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