PR quer manter Transportes em meio a disputa interna

Partido esperava ter nome de ministro definido antes do Natal, mas falta de consenso faz governo adiar anúncio na pasta

RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2014 | 02h00

À espera de ser mantido no comando do Ministério dos Transportes, o PR vive uma disputa interna pela indicação ao cargo que vem ocupando desde o primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva, quando o partido ainda se chamava PL. A atual concorrência pela vaga inclui quatro nomes: o secretário-geral do partido, Antonio Carlos Rodrigues, os deputados Luciano Castro (RR) e Wellington Fagundes (MT) e o atual titular da pasta, Paulo Sérgio Passos.

Dilma indicou aos integrantes da cúpula do PR que deve manter a pasta sob controle da legenda. O ministério é um dos mais cobiçados da Esplanada - é o sexto maior em recursos para custeio e investimentos em 2015, com R$ 15,2 bilhões, de acordo com a peça orçamentária enviada pelo governo. O PR, que faz parte da base de apoio de Dilma e integrou a aliança que ajudou a reelegê-la, terá 34 cadeiras de deputados e quatro de senadores em 2015.

A expectativa na legenda era a de que o novo ministro fosse indicado no "pacotão" de Natal - na terça-feira, a presidente indicou 13 integrantes do primeiro escalão. Suplente da senadora Marta Suplicy (PT) e licenciado do mandato de vereador paulistano, Rodrigues permaneceu em Brasília naquele dia, mas não teve o nome confirmado. Ele tem apoio do presidente da sigla, o ex-ministro Alfredo Nascimento, "faxinado" do cargo em 2011.

A demora na indicação do novo ministro se deve à concorrência pela vaga dentro do PR. Castro e Fagundes também tentam conquistar a simpatia dos correligionários e a consequente indicação ao ministério.

O primeiro tem força na bancada da Câmara: foi líder do partido durante três anos e vice-líder dos governos Lula e Dilma. Por ter sido derrotado na disputa ao Senado por Roraima, Castro quer se manter em Brasília como ministro. Fagundes, por sua vez, é um político em ascensão na legenda - foi eleito senador por Mato Grosso - e conta com apoio até fora do partido para comandar a pasta, com vistas a uma futura candidatura ao governo estadual em 2018.

Nas negociações da reforma ministerial, Dilma sinalizou ao PR de que gostaria de manter Passos - ele está na quarta passagem pelo posto. Embora haja resistência de políticos da legenda, a continuidade é bem vista por alguns integrantes do Congresso.

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