PR não pretende devolver todos os cargos

Segundo um líder da sigla, a intenção é deixar todos os cargos à disposição da presidente Dilma

Eduardo Bresciani e Rosa Costa, de O Estado de S.Paulo ,

17 de agosto de 2011 | 21h03

A anunciada saída do PR da base aliada da presidente Dilma Rousseff não significará a entrega imediata de todos os cargos que têm no governo. O termo encontrado pelos políticos do partido é que os cargos estão "à disposição" da presidente e que caberá a ela tirar ou não os apadrinhados da legenda. Entregar espontaneamente, o partido não vai. A independência do partido foi proclamada pelo presidente do PR, Alfredo Nascimento, que perdeu a função de ministro dos Transportes na chamada "faxina" realizada na área.

 

Uma das lideranças do partido garante que não haverá constrangimento sobre os políticos que ainda têm afilhados em postos no governo federal. "Nós não vamos constranger ninguém a entregar nada. Os cargos estão à disposição da presidente, se ela quiser tirar as pessoas que tire e quem quiser sair por conta própria fique a vontade, mas ninguém será obrigado pelo partido a sair".

 

O movimento de sair da base gerou rachaduras dentro da legenda. Alguns filiados argumentam não ter condições políticas de perder aliados que conseguiu emplacar no governo porque depende deles para conseguir liberações de obras e outros benefícios para suas bases eleitorais. Outros, como o líder do partido no Senado, Magno Malta (PR-ES), avaliam a decisão como exagerada. Ele tem seu irmão, Maurício Malta, na assessoria parlamentar do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

 

Apesar da condescendência com quem ficar, o discurso oficial do partido é que nenhum dos "sobreviventes" à faxina no Ministério dos Transportes terá oficialmente a nomenclatura de cargo do PR. Isso vale também para o ministro Paulo Sérgio Passos, filiado ao partido.

 

A posição dúbia do PR dá ao governo a sensação um afastamento apenas temporário. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), destaca que o movimento não significa uma ida do partido para a oposição e espera a volta dos aliados em breve. "Acho que esse afastamento é uma coisa transitória e acredito que, por meio do diálogo é possível ter uma recomposição num prazo que não seja tão longo".

 

Um dos principais defensores da independência, o senador Blairo Maggi (PR-MT) afirma que o afastamento está diretamente ligado ao tempo das investigações na área dos Transportes. "O que o PR quer é que enquanto acontecerem as investigações nós não tenhamos cargos no governo. Quereremos que se conclua as investigações e se reabilite quem não tiver culpa e se puna ou deixe no ostracismo quem não tiver que voltar".

 

A principal queixa do partido é de ter recebido de Dilma um tratamento diferente do verificado em ministérios do PMDB, como Agricultura e Turismo. "No PMDB, até quem foi preso não foi demitido, enquanto para nós valeu apenas uma notícia de uma revista", protesta Maggi.

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