PR inaugura centro de pesquisa de câncer infantil

O Hospital de Clínicas, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), inaugurou hoje em Curitiba o Centro de Genética Molecular e Pesquisa do Câncer em Crianças (Cegempac), com o objetivo de estudar novas formas de diagnóstico precoce e tratamento do câncer infantil. O centro terá apoio de entidades nacionais e internacionais, sobretudo o Saint Jude Children´s Research Hospital, de Memphis (EUA), maior hospital de câncer em crianças do mundo.O St. Jude dará suporte técnico e financeiro, complementando salários dos profissionais que forem se dedicar em tempo integral à pesquisa, além de fornecer treinamento e grande parte dos equipamentos do novo centro. "Fui trabalhar no Saint Jude em 1990, mas deixei claro que gostaria de continuar com contato aqui", disse o diretor do hospital norte-americano, o paranaense Raul Ribeiro.Segundo o diretor do Cegempac, Bonald Figueiredo, 12 pessoas deverão trabalhar diretamente no centro. Ele disse que a primeira pretensão é desenvolver pesquisas que possam levar ao diagnóstico precoce dos cânceres que atingem crianças. A longo prazo, pretende também desenvolver novas formas de tratamento. "Queremos entender o porquê dos casos mais comuns no Estado", afirmou Figueiredo.O primeiro trabalho, que já vinha sendo pesquisado por Ribeiro e, posteriormente, por Figueiredo, é o do tumor da córtex supra-adrenal (uma glândula localizada acima dos rins). Esse tipo de câncer é praticamente inexistente nos Estados Unidos, mas encontrado com certa freqüência no Paraná e na região de Jundiaí (SP), onde foram registrados mais de 100 casos desde 1990.Segundo Ribeiro, pensava-se inicialmente que se tratava de alguma mutação recente causada pelo meio ambiente. Os estudos mostraram que uma alteração do código genético, há cerca de 100 anos, é responsável por esse tipo de câncer. No entanto, só se desenvolve em 20% das pessoas que têm a mutação hereditária. De acordo com Ribeiro, 50% das crianças com tumores grandes são curadas. Naquelas em que o tumor ainda é pequeno, o índice de recuperação chega a 90%.A anomalia na glândula supra-adrenal produz aumento de hormônios levando a criança a adquirir características de adulto masculino, inclusive nas meninas. Sem o diagnóstico precoce, o tumor somente seria percebido a partir das alterações físicas, quando as chances de cura são mais restritas. Os estudos privilegiam parentes das pessoas que apresentaram alteração no DNA, visando à detecção precoce.O trabalho desenvolvido pela equipe curitibana, ainda que em laboratório menor, já tinha conseguido baixar o custo desse exame de US$ 700 para R$ 20. O diagnóstico também baixara de 20 dias para três horas. Passando de 120 metros quadrados para um espaço de 500 metros quadrados, com equipamentos modernos e investimentos totais de R$ 1,3 milhão, o Cegempac pretende ser referência para a região Sul do País.Juntamente com as pesquisas sobre o tumor de córtex supra-adrenal, também devem ser ampliados os estudos em relação à leucemia infantil, que representa em média 30% a 35% de todos os cânceres em crianças. "O que aprendemos com o mecanismo desse tumor (córtex supra-adrenal) nos dá idéia de como certos tipos de cânceres atingem as crianças", disse Ribeiro.

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