PPS quer investigar denúncia de extorsão em CPI

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), solicitou hoje a abertura de um inquérito para apurar as suspeitas de que integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga obras inacabadas estejam tentando extorquir dinheiro das empreiteiras para deixá-las livres das investigações. Ele considerou a denúncia muito grave, mas afirmou que o caso não deve impedir a continuidade dos trabalhos. "Se há suspeita de possíveis casos de extorsão, que os suspeitos sejam afastados ou substituídos, mas não podemos abrir mão de investigar as obras suspeitas", argumentou.Bueno considerou estranha a forma encontrada pelos demais líderes para solucionar o caso. Depois de receberem denúncias de que o presidente da CPI, Damião Feliciano (PMDB-PB), estaria cobrando até R$ 1 milhão para evitar que donos de construtoras de obras públicas passassem por constrangimentos, os líderes decidiram rejeitar a prorrogação dos trabalhos da comissão por mais 60 dias. Foi a primeira vez que o plenário rejeitou por unanimidade um primeiro pedido de prorrogação de CPI."Foi uma ação preventiva, tomada para preservar a Câmara de um possível escândalo", justificou hoje o líder do PSDB, Jutahy Junior (BA). Ele afirmou que as denúncias foram relatadas por diversas fontes respeitáveis, que pediram anonimato, mas não apresentaram provas. Em razão disso, os líderes resolveram não acusar ninguém diretamente e resolver o problema encerrando os trabalhos da CPI."Essa história está mal contada, temos que descobrir o que está por trás disso", disse Rubens Bueno, justificando o pedido de investigação. Ele observou que a CPI estava investigando algumas obras que poderiam causar incômodos aos três principais partidos da base governista, como a ampliação do aeroporto de Salvador e das Docas de Santos e a construção do Rodoanel de São Paulo."É preciso ter cuidado para não se cometer uma injustiça, pois alguém pode ter criado esse cenário de suspeita para justificar o fim da CPI", concordou o líder do PT, Walter Pinheiro (BA). "Quem levantou essa desconfiança tem que se apresentar e os acossados precisam falar, até para não permitir que coisas desse tipo voltem a acontecer", acrescentou. Ele quer que os próprios integrantes da CPI questionem o presidente da comissão e procurem os empresários que estariam passíveis de investigação para ver se a denúncia tem fundamento."Desafio qualquer empreiteiro a provar alguma coisa contra mim", afirmou Damião Feliciano, prometendo abrir mão de seus sigilos bancário e telefônico para facilitar a investigação da Corregedoria da Câmara. Ele avisou, no entanto, que não pretende se afastar da CPI. "Se todo parlamentar acusado correr, todo mundo poderá nos acusar de qualquer coisa e isso seria muito ruim para o Parlamento", justificou.O afastamento foi defendido pelo autor do requerimento de instalação da CPI, Augusto Nardes (PPB-RS). "O ideal seria afastar os suspeitos e continuar a investigação, pois o objetivo da CPI é moralizar e não podemos ser confundidos com elementos que possam destoar ou denegrir o nosso trabalho", afirmou Nardes, ressalvando que as denúncias não chegaram ao seu conhecimento porque estava há algum tempo afastado da comissão.Damião disse ainda que pretende interpelar o relator da CPI, Anivaldo Vale (PSDB-PA), por declarar que pretendia ser substituído no cargo porque haveria "uma gangue" na comissão. O relator negou que tivesse usado tal expressão ao justificar seu descontentamento com os trabalhos da CPI ao seu líder, Jutahy Junior.Além de Vale, outros deputados pediram substituição alegando desconforto. O deputado João Coser (PT-ES) disse hoje que pediu a substituição por causa dos boatos de que estaria havendo extorsão, e pela falta de organização dos trabalhos. "Queríamos fazer um trabalho sério e não sermos usados para qualquer outro tipo de coisa", afirmou Coser, avaliando que será difícil apresentar um relatório consistente até 9 de outubro, quando a investigação deverá ser encerrada. "Essa será uma CPI totalmente inacabada".

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