PPS pede investigação a tratamento dado a refugiados

O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), enviou ofício à Comissão da Verdade para que sejam apuradas notícias publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo entre os dias 3 e 8 de novembro a respeito da violação aos direitos humanos de refugiados políticos no País durante a ditadura militar (1964-1985). De acordo com a informação, no auge da repressão na região do Cone Sul, o Itamaraty e militares brasileiros teriam devolvido opositores buscados pelos regimes nos países vizinhos.

JOÃO DOMINGOS, Agência Estado

13 de novembro de 2012 | 20h50

Também foram rejeitadas dezenas de pedidos da Organização das Nações Unidas (ONU) para que o Brasil desse asilo a famílias que estavam sendo ameaçadas e perseguidas e ainda forçaram a entidade a buscar uma saída desses refugiados para outros países. Segundo a notícia, em apenas cinco anos, mais de mil pessoas com pedidos de asilo político que estavam sendo perseguidas pelos regimes militares da Argentina, do Chile e do Uruguai teriam sido expulsas do País.

Na série de reportagens há a informação de que o escritório da ONU, dedicado a lidar com refugiados, teria sido obrigado pelo regime militar brasileiro a atuar de forma "semiclandestina", pois teria sido forçado a adotar um outro nome. O escritório teria tido, também, de assumir o compromisso de que não falaria do assunto com a imprensa e muito menos com a comunidade internacional.

Além do sigilo absoluto, o governo brasileiro teria imposto uma condição para que a ONU atuasse no Brasil: que se fizesse "o possível para dar um destino aos refugiados que estavam entrando no País. Ou seja, retirá-los do Brasil". As informações publicadas fazem parte de centenas de telegramas, relatórios e cartas que estão guardadas nos arquivos da ONU em Genebra.

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