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PPS pede à PGR documentos enviados pela Suíça sobre contas atribuídas a Cunha

De acordo com o vice-lider da sigla, Arnaldo Jordy (PA), acesso a dados é essencial para provar denúncias, após oposição ser criticada por não ter assinado pedido de cassação do presidente da Câmara

Gustavo Aguiar , O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2015 | 16h07

Brasília - O deputado federal Arnaldo Jordy (PA), více-líder do PSS na Câmara dos Deputados, protocolou nesta quarta-feira, 14, na Procuradoria-Geral da República (PGR), o pedido para ter acesso às informações sobre as contas na Suíça do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O deputado solicitou a cópia de todos os documentos enviados pelo país europeu à PGR.

De acordo com Jordy, o acesso às informações vai impulsionar as representações contra Cunha na Corregedoria da Câmara e no Conselho de Ética. Nesta terça, 13, deputados de sete partidos como o PT, o PSOL e a Rede protocolaram uma representação contra o peemedebista. Na semana passada, os principais partidos de oposição ao governo, entre eles o PPS, assinaram uma nota pedindo o afastamento do presidente da Câmara. Jordy afirma que Cunha já não pode mais alegar perseguição e nem voltar a dizer que não tem nada a ver com o esquema de lavagem de dinheiro da Petrobras investigado pela Lava Jato. 

A Procuradoria Geral da República (PGR) confirmou ao PSOL, com base em documentos enviados por autoridades suíças, que Eduardo Cunha e seus parentes são beneficiários de contas que foram bloqueadas pelas autoridades do país europeu. Ele teria utilizado empresas de fachada para abrir quatro contas no banco Julius Baer, que chegaram a receber ao menos R$ 23,2 milhões de 2007 a 2011, segundo as investigações do País europeu. Investigados na Lava Jato que firmaram delação premiada apontaram o presidente da Câmara como beneficiário de propina envolvendo contratos da Petrobrás de aluguel de navios-sonda e de compra de um campo de exploração de petróleo em Benin, na África. 

"Os documentos indispensáveis não só para sustentar a materialidade, bem como para fortalecer o peso da representação. O afastamento é importante não só para que Cunha possa se defender, mas também para que esta Casa não seja contaminada por essas denúncias, que são gravíssimas", defende o vice-líder do PPS.  Para Jordy, as provas em posse da PGR atestam que Cunha mentiu quando declarou que não tinha nenhuma conta no exterior durante um depoimento à CPI da Petrobrás. 

No sábado, os principais partidos de oposição ao governo, entre eles o PPS, assinaram uma nota pedindo o afastamento de Cunha da presidência da Câmara, mas foram questionados porque não assinaram o pedido de cassação do PSOL. Os oposicionistas esperam que o presidente da Casa inicie o processo que pode culminar no afastamento da presidente Dilma Rousseff ao decidir se aceita pedidos de impeachment contra ela. 

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