PPS liga Lula a Collor na mudança da poupança

Inserções no rádio e na televisão provocam reação imediata do PT, que promete ir à Justiça

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2009 | 00h00

Inserções veiculadas pelo PPS no rádio e na televisão abriram ontem uma troca de acusações e ameaças de ações judiciais entre o partido e o PT. No programa, o deputado Raul Jungmann (PE) afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja "mexer" na caderneta de poupança, assim como fez o governo do hoje senador Fernando Collor, que confisco os depósitos em 1990. "O governo vai mexer na poupança, como fez o governo Collor. E o PPS vai estar lutando para que isso não aconteça", disse Jungmann, na inserção. O programa provocou reação imediata do PT. No início da tarde, o presidente nacional do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), avisou que encaminharia um questionamento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E utilizou o site do PT na internet para dizer que o PPS age como "uma sublegenda dos neoliberais tucanos e a serviço do governador de São Paulo, José Serra", um dos cotados para a corrida presidencial de 2010. Berzoini criticou o presidente do PPS, Roberto Freire (PE), dizendo estranhar o fato de ele ser conselheiro da empresa de saneamento Sabesp, sem possuir "nenhuma relação histórica com a empresa ou com o próprio Estado". Mais tarde, em entrevista, ele acrescentou: "São inserções de baixo nível. O PPS comanda uma política errada, com a clara intenção de confundir a população".Freire devolveu: "O que eles querem? Calar a oposição?" E revidou a afirmação de que o PPS age a serviço de Serra. "Nós preferimos mesmo o Serra a Lula." Para completar, Freire negou prestar consultoria à Sabesp e desafiou Berzoini: "Ele que repita isso, que eu o processo". Mais tarde, o PPS divulgou nota classificando a decisão do PT de acionar a Justiça como uma "atitude totalitária". Já Jungmann disse que nunca afirmou que o governo vai confiscar depósitos da poupança. "É uma questão de interpretação."

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