PPS inicia campanha para chapa Serra/Aécio

A redução da vantagem do governador José Serra (PSDB) sobre a ministra Dilma Rousseff (PT) na última pesquisa Datafolha de intenção de voto, divulgada no sábado, levou o PPS, aliado nacional do PSDB, a deflagrar um movimento virtual para pressionar o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), a integrar uma dobradinha com o governador paulista rumo à disputa presidencial. Em reunião a portas fechadas, a Executiva Nacional do PPS aprovou hoje por unanimidade a realização de ações na internet para atrair o apoio de lideranças políticas e da sociedade em geral à chapa puro-sangue tucana.

GUSTAVO URIBE, Agencia Estado

02 de março de 2010 | 17h17

A primeira iniciativa, apoiada pela cúpula do partido, foi lançada de forma extraoficial na última sexta-feira. O presidente da sigla, Roberto Freire, fundou em parceria com o poeta Ferreira Gullar e o cineasta Zelito Viana o "Movimento Serra-Aécio", ação virtual que defende a dobradinha tucana como uma "alternativa ideal" para as eleições de outubro. No site (www.serra-aecio.com.br) criado para os seguidores da empreitada, que já reúne 4.490 pessoas, os organizadores conclamam internautas a aderirem a um manifesto que, de acordo com Freire, será entregue a Aécio Neves nas próximas semanas. "O objetivo é trabalhar para sensibilizar os dois governadores de que a formação da chapa puro-sangue é ideal para o momento atual do País", explicou o presidente nacional da sigla.

No manifesto divulgado no site do movimento, o PPS se refere aos governadores José Serra e Aécio Neves como figuras políticas que "deram demonstração de competência, vocação pública e de compromisso com mudanças". O documento elogia as iniciativas da gestão Luiz Inácio Lula da Silva, mas pondera que o governo petista "fracassou ao não executar reformas agendadas e de grande alcance histórico como a política e a tributária". "Em poucos momentos da história, é possível unir duas lideranças ilibadas e representativas em torno de um projeto nacional democrático e progressista", salienta.

A última edição da pesquisa Datafolha mostrou uma queda de 14 para 4 pontos porcentuais na distância que separa Serra da petista Dilma Rousseff. As intenções de voto em Serra recuaram de 37% para 32%, em comparação com a edição anterior do mesmo levantamento, divulgado em dezembro. Já Dilma subiu de 23% para 28%, na mesma comparação. Com a divulgação dos dados, lideranças tucanas tem fechado o cerco sobre Aécio para que o governador desista de uma eventual corrida ao Senado por Minas Gerais e aceite disputar as eleições presidenciais ao lado de Serra. "Esse é o momento certo de trabalhar os nomes. Uma chapa com Serra e Aécio fortalece a oposição e tem grande impacto eleitoral", defendeu Roberto Freire.

O presidente do PPS minimizou o resultado do Datafolha. De acordo com ele, a euforia dos governistas quanto ao crescimento de Dilma "é despropositada". "Dilma ainda não atingiu nem os 30% históricos do PT. E olha que o presidente Lula vem fazendo campanha para ela há dois anos ao arrepio da lei", afirmou.

Freire acredita ainda que a pré-candidata petista deve seguir trajetória ascendente nas próximas pesquisas. "Ela cresceu e vai crescer mais ainda. Não tenho dúvida." O presidente da sigla, contudo, não vê ameaça na escalada da petista. "Serra, sem fazer campanha, continua na liderança. Imagine quando fizer campanha. Deve crescer disparado na liderança", opinou.

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