PPS confirma candidatura de Soninha em SP de olho em 2010

Campanha da ex-petista será centrada no trânsito; Freire destaca importância de SP nas eleições presidenciais

Gerson Freitas Jr., da Agência Estado,

15 de junho de 2008 | 15h40

Em evento que oficializou neste domingo, 15, sua candidatura à Prefeitura de São Paulo, a vereadora, comentarista esportiva e ex-apresentadora da MTV Soninha Francine (PPS) reforçou que a mobilidade urbana será mesmo o tema central de sua campanha. "Vamos discutir tudo o que acarreta o trânsito e tudo o que o trânsito acarreta", afirmou aos repórteres. O presidente do PPS, senador Roberto Freire, previu que, em várias cidades, as eleições municipais servirão para debater temas nacionais e que "alianças para 2010 começarão a ser discutidas agora".   Veja também: Calendário eleitoral das eleições deste ano  PMDB oficializa candidatura de João Henrique em Salvador PMDB escolhe Leonardo Quintão para disputar prefeitura de BH  Tucano troca nomes e saúda 'Geraldo Kassab' em evento do DEM Candidatura tucana não destrói aliança entre DEM e PSDB, diz Kassab   Em seu discurso, Freire, declarou que a candidatura de Soninha à Prefeitura de São Paulo é estratégica para as pretensões nacionais do partido. "Nós podemos ser fortes, mas se não formos grandes em São Paulo, seremos pequenos no Brasil", afirmou.     O senador explicou que a disputa nos Estados e na eleição presidencial, daqui a dois anos, ajuda a explicar por que os partidos (PSDB, DEM e PPS) que participaram da chapa que elegeu José Serra, em 2004, estão caminhando sozinhos agora. "O quadro deste ano não estava adaptado à nossa participação, como estava há quatro anos. Talvez a eleição de 2010 esteja dominando o cenário agora".   Não à toa, praticamente todos os representantes do PPS que discursaram durante o evento fizeram questão de elogiar a gestão Serra-Kassab na Prefeitura de São Paulo. "Não dá para negar que a cidade de São Paulo melhorou. Aqui, podemos falar do Kassab (Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo) que ninguém vaia", afirmou Carlos Fernandes, presidente municipal do PPS. Soninha caminhou na mesma direção: "Nos diferenciamos porque não temos medo de reconhecer as conquistas já alcançadas".   Para a candidata, que chegou de bicicleta à Câmara Municipal, os congestionamentos provocados pelo excesso de veículos estão relacionados a vários outros problemas da cidade, a meio ambiente, saúde e qualidade de vida. O PPS também confirmou os nomes dos 83 candidatos a vereador e do vice de Soninha, o cineasta João Batista de Andrade.   Soninha foi recebida na Câmara por cerca de 800 pessoas, entre correligionários e simpatizantes, e discursou por cerca de 10 minutos. Usando uma camiseta preta do Instituto Sou da Paz, a candidata posou para fotos oficiais ao lado dos candidatos a vereador sob os gritos de "um, dois, três, Soninha dessa vez".   Durante seu discurso, a candidata defendeu sua candidatura, que conta com 3% das intenções de voto, de acordo com pesquisa feita pelo Ibope e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo no início deste mês. "O PPS quer disputar a prefeitura porque tem a sua própria visão para a cidade que é, no mínimo, melhor do que a dos adversários", afirmou.   Queremos combater essa onda pessimista sobre os políticos. Estou aqui para demonstrar que é possível entrar e se conduzir na política seguindo o que se acredita". Aos repórteres, Soninha disse que o PPS foi assediado "desde o início" pelo DEM e pelo PSDB, mas que optou pela candidatura própria - e sem aliados - porque "optou por ter a liberdade de dar seus próprios passos sem ter de fazer concessões".   Propostas para o trânsito Soninha voltou a defender o pedágio urbano como uma das soluções para os congestionamentos. "Ao mesmo tempo que é preciso aumentar a disponibilidade de transporte público, é preciso reduzir o transporte individual", afirmou. Segundo a candidata, a cidade privilegia os carros. "Se eu tenho de pagar R$ 2,30 para chegar ao centro de ônibus, por que não cobrar isso dos veículos?", explicou.   A ex-vereadora disse não temer possíveis ataques dos adversários a essa proposta. "A candidatura não vai abrir mão de suas próprias idéias. A gente pretende, no mínimo, interferir no debate político da cidade", ponderou. A candidata disse, no entanto, que apenas a melhoria do transporte não resolve o problema do trânsito em São Paulo. "Não podemos simplificar a questão, é preciso repensar a configuração da cidade. Quando todos têm de se deslocar da periferia para o centro, não há sistema de transporte no mundo que dê conta", afirmou.   Questionada sobre como a prefeitura poderia interferir na ocupação da cidade, Soninha respondeu que pretende usar de instrumentos fiscais para estimular a atividade econômica nos bairros da periferia, promover uma política de ocupação de imóveis antigos na região central e regulamentar o plano diretor.

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