PP vira aliado após receber dinheiro do PT, diz Barbosa

Para relator, Partido Progressista, que antes apoiava o PSDB, entrou para a base petista com o pagamento do mensalão

Ricardo Brito, da Agência Estado

17 Setembro 2012 | 16h42

O ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, relator do mensalão, afirmou nesta segunda-feira, 17, que o Partido Progressista (PP) só aderiu à base aliada no início do governo Lula depois de ter firmado um acordo para receber recursos do Partido dos Trabalhadores (PT). Com base em depoimentos, Barbosa lembrou que o PP apoiou, na eleição que sagrou o ex-presidente Luiz Inácio da Silva vitorioso, o então candidato do PSDB, José Serra. O relator disse que a ida do PP para a base do governo se consumou a partir de meados do ano de 2003, com o pagamento do mensalão.

Barbosa se valeu de depoimentos de integrantes do próprio PP, como o ex-líder José Janene (PR), já falecido, que admitiu que a cúpula do seu partido firmou um acordo de "cooperação financeira" com os dirigentes do PT. O partido recebeu R$ 4,1 milhões do esquema operado pelo publicitário Marcos Valério. "Não havia qualquer razão para esse auxílio do PT ao PP, senão o fato de ter aderido à base do governo em meados de 2003", ressaltou o relator.

O ministro disse que, mesmo tendo recebido "recursos volumosos" do PT nos dois primeiros anos do governo Lula, o PP praticamente não firmou alianças com os petistas nas alianças municipais. O relator chegou a citar o depoimento de um ex-deputado do PP Vadão Gomes, que chegou a mencionar que havia "notória incompatibilidade ideológica" entre os partidos.

"Apesar dessa incompatibilidade, o réu Pedro Henry (então líder do partido) conduziu o voto de sua bancada favoravelmente às pretensões dos corruptores", destacou Barbosa, ao ressaltar que, além de Henry, o então presidente do partido, Pedro Corrêa, e José Janene participaram do esquema de recebimento de recursos.

O ministro disse que os repasses foram efetuados às vésperas de votações importantes para o governo federal. Para ele, o destino dado aos recursos é irrelevante para a caracterização do crime de corrupção passiva, do qual os representantes do PP são acusados. Os progressistas argumentaram, na defesa apresentada, que o dinheiro serviu para custear os honorários de um advogado de um deputado da bancada. Barbosa rejeitou essa versão.

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